Vorcaro acusa ACM Neto e Rueda de receber aportes no Banco Master

Por Redação 10/09/2026, às 08h38 - Atualizado às 08h38

O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em uma proposta de delação premiada, que o candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) e o presidente nacional do partido, Antônio Rueda, teriam recebido ou deveriam receber 10% dos valores investidos no Banco Master por institutos de previdência. Segundo o relato, a atuação dos dois teria ajudado o banco a captar cerca de R$ 2 bilhões.

A informação foi divulgada pelo colunista Cézar Feitoza, do UOL. De acordo com a proposta, os recursos teriam sido captados junto a institutos de previdência do Rio de Janeiro, Amapá e Amazonas, além da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae). Pela conta apresentada por Vorcaro, a comissão de 10% poderia representar uma obrigação de até R$ 200 milhões, embora o banqueiro não tenha informado quanto teria sido efetivamente pago.

A proposta também cita uma suposta atuação de Rueda e ACM Neto em negócios envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. Vorcaro relatou ainda que teria havido uma reunião entre ele, Rueda e o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, em Brasília, em 2024.

As acusações fazem parte de uma proposta de delação que foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. Segundo as informações divulgadas, a PF e a PGR consideraram que o material não apresentava informações inéditas suficientes e não oferecia garantias para a devolução de valores relacionados às fraudes investigadas.

O caso se soma a registros já conhecidos de relações financeiras entre o Banco Master e os dois dirigentes do União Brasil. Documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado apontaram R$ 5,45 milhões pagos pelo banco à A&M Consultoria, empresa ligada a ACM Neto, e R$ 6,4 milhões a dois escritórios ligados a Rueda. Os envolvidos afirmam que os valores decorreram de serviços prestados.

ACM Neto classificou as acusações como “absurdas, completamente fantasiosas e mentirosas”. Rueda também negou irregularidades e afirmou ter dificuldade para se manifestar sobre um documento ao qual não teve acesso.