Bolsa Família: reajuste de R$ 28,5 bilhões começa a ser pago antes do segundo turno

Por Redação 18/09/2026, às 08h57 - Atualizado às 08h39

Por Záfya Tomaz

O reajuste de 15,04% do Bolsa Família, já anunciado pelo governo, começa a pesar nas contas públicas justamente às vésperas das eleições. Os novos valores serão pagos a partir de 19 de outubro, entre o primeiro e o segundo turno, e vão representar uma despesa adicional de R$ 5,8 bilhões ainda em 2026 e R$ 22,7 bilhões em 2027.

Na prática, o benefício mínimo passa de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio sobe de R$ 675 para R$ 777. Para quem recebe o programa, o aumento representa R$ 91 a mais por mês no benefício mínimo.

O impacto, porém, não fica apenas no bolso das famílias. Como o custo adicional não estava previsto no Orçamento original deste ano nem na proposta para 2027, o governo terá de remanejar recursos de outras áreas para acomodar a nova despesa.

De onde sairá o dinheiro?

Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o espaço fiscal para bancar o reajuste foi aberto principalmente pela redução da fila de pedidos de benefícios do INSS. A equipe econômica afirma que fará remanejamentos em outras despesas nas quais foram identificadas sobras.

Os detalhes de quais áreas terão recursos reduzidos ou reorganizados devem ser apresentados pelo governo no próximo relatório de avaliação de receitas e despesas.

Para 2026, o Orçamento previa inicialmente R$ 156,6 bilhões para o Bolsa Família. O valor foi posteriormente reduzido para R$ 155,8 bilhões. Com o reajuste, a despesa precisará ser ampliada.

O que muda para quem recebe?

A correção acompanha o INPC acumulado desde março de 2023, quando o Bolsa Família voltou a adotar o piso de R$ 600. O índice acumulado no período chegou a 15,04%, percentual utilizado pelo governo para atualizar o benefício.

Para as famílias, o efeito será percebido já no pagamento de outubro. Para o governo, entretanto, trata-se de uma despesa que continuará nos próximos anos e precisará ser incorporada aos futuros Orçamentos.

O calendário também chama atenção: o primeiro pagamento com o novo valor ocorrerá a poucos dias das eleições, com o reajuste chegando aos beneficiários entre os dois turnos da disputa presidencial.

O governo afirma que a medida recompõe a inflação acumulada desde 2023. O impacto fiscal e a necessidade de remanejamento de outras despesas colocam o reajuste no centro da discussão sobre as contas públicas nos próximos meses.