O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) anunciou que dará prioridade, em 2025, ao processo de tombamento do prédio onde funcionou o DOI-Codi na Rua Barão de Mesquita, na Tijuca, Rio de Janeiro. Durante a ditadura militar no Brasil (1964-1984), o local foi palco de prisões, torturas e mortes de opositores do regime.
O posicionamento do Iphan atende à recomendação do Ministério Público Federal (MPF), divulgada nesta terça-feira (21), que solicitou urgência na análise do tombamento. O processo tramita no Instituto desde 2013 e tem como objetivo transformar o edifício em um espaço de memória, preservando a história das violações cometidas no período.
O DOI-Codi foi uma das principais agências de repressão política do regime militar, com unidades espalhadas por cidades como São Paulo, Recife e Porto Alegre. No Rio de Janeiro, o edifício que abrigou o órgão atualmente sedia o 1º Batalhão de Polícia do Exército. Entre as vítimas de tortura no local está o ex-deputado federal Rubens Paiva, cuja morte se tornou um símbolo das atrocidades da ditadura e foi retratada no filme Ainda Estou Aqui.
A Comissão Nacional da Verdade identificou pelo menos 434 mortos ou desaparecidos pelas forças ditatoriais, reforçando a importância do tombamento como forma de preservar a memória e educar futuras gerações sobre o período.
Em nota, o Iphan destacou que “o pedido de tombamento do prédio está em processo de análise e é uma das demandas prioritárias da autarquia para o ano de 2025”. A iniciativa busca garantir que o local funcione como um marco histórico, promovendo reflexões sobre os direitos humanos e os valores democráticos.