Argentina anuncia saída da OMS alegando divergências

Por Redação 05/02/2025, às 19h27 - Atualizado às 18h37

O governo argentino, liderado pelo presidente Javier Milei, anunciou nesta quarta-feira (5) sua retirada da Organização Mundial da Saúde (OMS), alegando divergências profundas na gestão da pandemia de covid-19 e a necessidade de reafirmar a soberania nacional.

O porta-voz da presidência, Manuel Adorni, confirmou que Milei instruiu o ministro das Relações Exteriores, Gerardo Werthein, a formalizar a decisão.

“Os argentinos não vão permitir que uma organização internacional intervenha em nossa soberania e muito menos em nossa saúde”, declarou Adorni.

Segundo ele, a Argentina responsabiliza a OMS e o governo anterior, liderado por Alberto Fernández (2019-2023), pelo “confinamento mais longo da história da humanidade”, além de acusar a organização de estar sujeita à influência política de alguns Estados.

Impacto da decisão

Adorni garantiu que a saída da OMS não afetará a qualidade dos serviços de saúde na Argentina, pois o país não recebe financiamento da organização.

“Pelo contrário, isso dará ao país mais flexibilidade para implementar políticas adaptadas ao nosso contexto e interesses, além de ampliar a disponibilidade de recursos”, afirmou o porta-voz.

A medida faz parte da política de Milei de reduzir a participação da Argentina em organizações internacionais, focando em uma agenda econômica ultraliberal e na descentralização da gestão pública.

A decisão da Argentina ocorre poucos dias após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retomar o processo de retirada dos EUA da OMS.

Durante seu primeiro mandato, em 2020, Trump já havia tentado retirar os EUA da organização, acusando-a de má gestão e alinhamento com a China. Entretanto, a medida foi revertida por seu sucessor, Joe Biden, antes de entrar em vigor.

Agora, dois dias após reassumir a Casa Branca, Trump retomou o processo, justificando a saída com a discrepância entre as contribuições financeiras dos EUA e da China para a OMS. Os norte-americanos são o principal doador da organização, responsáveis por mais de 16% do orçamento da agência da ONU.