Brasil tem 3ª maior população prisional do mundo; confira os dados

Por Redação 06/02/2025, às 22h30 - Atualizado às 18h32

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) disponibilizou, por meio do Observatório Nacional dos Direitos Humanos (ObservaDH), dados detalhados sobre a realidade do sistema prisional brasileiro. O Brasil, atualmente, possui a terceira maior população carcerária do mundo, com mais de 850 mil pessoas privadas de liberdade.

Um número alarmante, que cresceu quase quatro vezes desde o ano 2000, refletindo o problema do encarceramento em massa. O déficit de vagas nas prisões já ultrapassa os 200 mil, e cerca de um terço das unidades prisionais foi avaliado como apresentando condições ruins ou péssimas em 2023 e 2024.

O levantamento feito é baseado em informações do Sistema Nacional de Informações Penais (Sisdepen) e outras fontes oficiais, oferece um diagnóstico sobre as condições das unidades prisionais, destacando os principais desafios e sugerindo caminhos para uma possível reforma.

Confira alguns dados

Em relação à violência, os dados de 2023 mostram um cenário ainda mais grave: 3.091 mortes no sistema penitenciário, das quais 703 foram homicídios. A taxa de homicídios nas prisões brasileiras é quatro vezes maior do que a registrada na população em geral, enquanto os suicídios entre presos também são três vezes mais frequentes.

Outro ponto crítico são as constantes denúncias de tortura e maus-tratos, com mais de 120 mil registros desde a implementação das audiências de custódia em 2015. Entre 2020 e 2024, a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos recebeu 14.731 queixas, sendo 80% delas relacionadas a abusos dentro dos presídios.

Este cenário de violação de direitos motivou a criação do “Plano Nacional de Enfrentamento ao Estado de Coisas Inconstitucional nas Prisões Brasileiras”, o qual estabelece diretrizes para a melhoria das condições carcerárias.

Apesar dos desafios, algumas medidas têm sido implementadas para promover a reintegração social dos detentos. Em 2023, 16,5% dos presos tiveram acesso a atividades educacionais, um avanço importante para a educação no sistema prisional. No campo do trabalho, 19,5% da população carcerária está envolvida em atividades laborais, que, segundo a Lei de Execução Penal, devem ser associadas à dignidade humana e qualificação profissional.

A saúde também tem sido um foco das políticas públicas, com um aumento de 564% no número de profissionais atuando nas unidades prisionais entre 2007 e 2023. No entanto, o acesso pleno a atendimentos médicos e psicológicos ainda é um desafio, refletindo as desigualdades do sistema, e um problema no sistema como um todo.

O levantamento do ObservaDH aponta para uma situação crítica no sistema prisional brasileiro, destacando a necessidade urgente de reformas que garantam a dignidade das pessoas privadas de liberdade e efetiva proteção aos seus direitos humanos.