O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou como “ruins para a economia global” as tarifas comerciais impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre aço e alumínio importados. Em declaração nesta terça-feira (11), Haddad afirmou que o governo brasileiro ainda está levantando informações para avaliar os impactos da medida e decidir se adotará alguma reação diplomática ou comercial.
“A avaliação é de que medidas unilaterais desse tipo são contraproducentes para a melhoria da economia global. Isso representa um movimento de desglobalização que prejudica o comércio internacional. Precisamos defender uma globalização sustentável, tanto do ponto de vista social quanto ambiental”, afirmou o ministro.
O ministro explicou que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) está reunindo informações sobre o impacto da decisão para apresentá-las ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tomará uma decisão sobre possíveis negociações.
Haddad ressaltou que a sobretaxação não foi direcionada exclusivamente ao Brasil, atingindo também México, Canadá e China. Ele sugeriu que o governo brasileiro pode buscar uma solução negociada, alinhada às diretrizes do G20, grupo que reúne as principais economias do mundo.
“Não é uma decisão contra o Brasil, mas um movimento mais amplo. Estamos observando as reações de outros países e pretendemos voltar à mesa de negociação com propostas alinhadas ao que já discutimos no G20”, afirmou.
O Itamaraty também acompanha a situação e, segundo Haddad, ainda não há uma avaliação consolidada dos impactos para a economia brasileira. O ministro também informou que, após retornar de sua viagem ao Oriente Médio, se reunirá com representantes da indústria de aço e alumínio para discutir a questão.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou uma nota oficial criticando a decisão de Trump e alertando para os impactos no setor industrial brasileiro. O Brasil é o quarto maior exportador de ferro e aço para os EUA, que absorvem 54% das exportações desses produtos.
A entidade destacou que o Brasil não representa uma ameaça comercial para os Estados Unidos, ao contrário de outros parceiros que possuem superávit na balança comercial com o país norte-americano.
“A balança comercial entre os países é favorável aos EUA desde 2008. Em 2024, o Brasil exportou US$ 40,4 bilhões para os EUA e importou US$ 40,7 bilhões”, afirmou a CNI.
O presidente da confederação, Ricardo Alban, defendeu que o governo brasileiro priorize o diálogo em vez de retaliações. “A negociação é o caminho preferencial, evitando medidas que possam prejudicar setores produtivos que dependem de importações norte-americanas”, declarou Alban.
O governo federal segue monitorando o impacto da medida e deve definir sua estratégia nas próximas semanas, considerando a posição de outros países afetados pela decisão de Trump.