É impossível não falar sobre as viroses que estão acontecendo em nossa cidade após o início das aulas e, especialmente, após o carnaval. O ano de fato começou para os pediatras que, como eu, devem estar recebendo várias mensagens de mães aflitas com seus filhos doentes (às vezes a família toda doente). Temos virose de todos os tipos após a maior festa do planeta e vou falar um pouco sobre cada uma delas com vocês hoje.
Nossa tão conhecida mão-pé-boca não quis ficar longe da folia e fez um surto nas escolas e prédios logo antes do carnaval. Lesões avermelhadas e papulares, parecendo com catapora, acometendo especialmente mãos, pés, região genital, além de aftas em cavidade oral caracterizam a doença, que deixa as crianças sem conseguirem se alimentar bem, com muita salivação (dificuldade de engolir saliva), com risco inclusive de hipoglicemia e desidratação. O tratamento é basicamente sintomático (remédio para dor e febre), além de hidratação oral. A doença é atualmente contagiosa enquanto existirem lesões ativas e a criança pode se infectar mais de uma vez, sendo os quadros subsequentes geralmente mais leves. Cerca de 3 a 8 semanas após a infecção, algumas unhas podem cair (sem dor associada), voltando a crescer após 2 meses.
A infecção por norovírus talvez seja a que está deixando adultos e crianças mais abatidos e se caracteriza por quadro de enjoo, vômitos, perda de apetite, diarreia líquida volumosa, podendo ou não ter febre. O grande risco está na desidratação, sendo que algumas crianças e adultos ficam tão desidratados que precisam internar para receber hidratação venosa. Os sinais de alerta mais importantes são: redução do xixi, saliva espessa, ausência de lágrimas, perda importante de peso, olhos fundos, prostração importante, sonolência. A hidratação oral é a base do tratamento e o uso de medicações só deve ser feito com orientação médica. Doença também de fácil contágio, os hábitos adequados de higiene (como lavar as mãos após ir ao banheiro, por exemplo) são fundamentais para reduzir a transmissão.
E, como após todo carnaval, não poderia faltar uma virose com sintomas respiratórios. Tem ocorrido habitualmente associada ao quadro gastrointestinal (os vírus realmente são bagunceiros) e cursa com febre, obstrução nasal, coriza e tosse. Pode haver também falta de apetite, dor no corpo e dor de cabeça (difícil de perceber em crianças pequenas que podem ficar apenas chorosas). A hidratação oral e lavagem nasal são fundamentais para a boa evolução e as pessoas devem ficar atentas e procurar atendimento médico se apresentarem falta de ar, vômitos repetidos, sonolência, redução do xixi, desmaio e febre alta e persistente após 48 horas do seu início. Lembrar que grupos de risco como idosos, gestantes e crianças menores de 5 anos (especialmente as menores de 2 anos) merecem nossa atenção especial.
As viroses bateram em nossas portas, mas precisamos evitar deixar elas entrarem. Vamos evitar a circulação de pessoas doentes (quando for necessário sair, usar máscara e atentar para a toalete respiratória), manter a higiene das mãos adequada, manter o cartão de vacina em dia com atenção à campanha contra gripe que em breve se inicia (prevista para ainda este mês de março), não mandar crianças doentes para a escola, seguir as orientações médicas, evitando a automedicação e medicações sem comprovação científica, beber bastante líquido e manter uma alimentação saudável. É isso! Vamos combater essas doenças com a mesma energia que a cidade viveu o carnaval.
Lis Thomazini