Na noite desta quinta-feira (10), o gramado em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, foi palco de tensão após manifestantes indígenas romperem as barreiras de segurança e avançarem além do ponto acordado com as autoridades. Cerca de mil participantes da marcha do Acampamento Terra Livre (ATL) derrubaram os gradis instalados pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e cruzaram a área de proteção montada em frente ao prédio legislativo.
A resposta das Polícias Legislativas da Câmara e do Senado foi imediata, com a utilização de agentes químicos para conter o avanço. Segundo o Corpo de Bombeiros do DF, duas mulheres passaram mal durante o confronto. Ambas estavam conscientes e estáveis no momento do atendimento — uma foi levada à UPA de São Sebastião e a outra ao Hospital de Base.
Acordo rompido
De acordo com a assessoria da Câmara dos Deputados, havia um entendimento prévio com os organizadores da marcha: os manifestantes permaneceriam até a Avenida José Sarney, anterior à área gramada do Congresso. No entanto, uma parte do grupo decidiu avançar, rompendo o combinado.
“A situação já foi controlada, e o efetivo de segurança das duas Casas Legislativas foi reforçado”, informou a nota da Câmara.
A Presidência do Senado também se manifestou, afirmando que todas as ações de contenção foram realizadas com uso exclusivo de meios não letais. A nota reforçou o respeito à manifestação pacífica dos povos indígenas, mas destacou que a proteção ao patrimônio público e à segurança de parlamentares, servidores e visitantes é essencial.
A Polícia Militar do DF, por sua vez, declarou que acompanhou as mobilizações ao longo da semana e que, no momento em que os manifestantes acessaram a área de segurança do Congresso, a atuação foi assumida pela Polícia Legislativa, que utilizou material químico para dispersar a multidão.
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), principal organizadora do evento, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o episódio.
Mobilização nacional
A marcha desta quinta-feira fez parte da programação da 21ª edição do Acampamento Terra Livre, que ocorre de 7 a 11 de abril, em Brasília. A caminhada partiu do Complexo Cultural Íbero-Americano rumo à Praça dos Três Poderes, reunindo milhares de indígenas de diversas etnias.
Com o lema “A resposta somos nós”, o movimento visa chamar atenção para a urgência no combate à crise climática, exigir o fim dos combustíveis fósseis e defender uma transição energética justa. Os povos indígenas também cobram o reconhecimento do papel central que seus territórios tradicionais desempenham na preservação ambiental.
Apesar do episódio de confronto, a mobilização segue sendo uma das maiores expressões de resistência e articulação dos povos originários no país.