Por: Cíntia Santos
Ser mãe é um ato de coragem diário. É amar antes mesmo de conhecer, é enfrentar o desconhecido com o coração cheio de esperança e disposição contínua para desbravar um universo inteiro de descobertas.
Neste Dia das Mães, o Taktá celebra mulheres que vivem a maternidade de forma intensa, real, cheia de amor e de superação. Histórias que nos lembram que ser mãe é, acima de tudo, um exercício de entrega e força.
Quando o sonho se multiplica por três: Débora e os trigêmeos

Acervo pessoal / Débora Santos
Débora Santos, de 25 anos, sempre sonhou ser mãe. Ao lado do marido Willean, com quem vive há quase uma década, tomaram a decisão de interromper o uso do método contraceptivo em junho de 2024. Poucos meses depois, em agosto, o casal formalizou a união e, após a lua de mel, veio a grande surpresa: a gestação.
Mas nada poderia prepará-los para o que vinha pela frente. Na primeira ultrassonografia, Débora descobriu que não esperava apenas um, nem dois, mas três bebês. Um momento que, segundo ela, pareceu tirar o chão: “Quando o médico falou que eram três, eu fiquei desesperada. Não ouvia mais nada. Parecia que a alma saiu do corpo. Só sabia chorar”, relembra.
A gestação de trigêmeos, naturalmente rara e cheia de riscos, exigiu cuidado, paciência e muita fé. No caso da Débora, a gestação foi trigemelar dicoriônica triamniótica, com duas placentas e três bolsas. “Entreguei todos os dias nas mãos de Deus”, diz Débora, que conseguiu segurar os meninos até a 35ª semana. Um feito para esse tipo de gestação.
Bernardo, Gael e Hugo chegaram ao mundo com saúde, cercados de amor e solidariedade. Porém, dois dos bebês passaram alguns dias na UTI Neonatal: Gael ficou 9 dias e Hugo ficou 13 dias. Bernardo, diferente dos irmãos, nasceu com mais de 2kg e foi para casa com a mamãe, que contou com a solidariedade de muitas pessoas, que doaram itens e estenderam a mão quando ela mais precisou. “Recebi muitas doações, muita ajuda. Foi lindo ver o quanto as pessoas se importam”, conta.
Hoje, com pouco mais de um mês de vida, os trigêmeos já começam a escrever suas próprias histórias. E Débora, entre fraldas, mamadas e noites curtas, vive o começo de uma maternidade intensa e cheia de descobertas. “Sempre bate o medo de não dar conta, mas o amor é maior que qualquer dificuldade”, diz, emocionada.
O coração que quase parou, mas escolheu viver: Karyne e Elisa

Acervo pessoal / Karyne Brandão
Para Karyne Brandão, de 32 anos, a maternidade sempre foi um desejo profundo. A gestação de Elisa, sua primeira filha, foi tranquila e cheia de vida: manteve sua rotina, cuidou de si e aproveitou cada momento. Mas o que parecia o início de uma nova fase feliz logo se transformaria em uma luta pela vida.
Apenas 15 dias após o parto, Karyne começou a sentir fortes dores, inchaços e falta de ar incomum. Levada de volta ao hospital, passou por dias de internamento e, após uma longa jornada, recebeu o diagnóstico: miocardite periparto, uma condição cardíaca rara que surge no final da gestação ou no pós-parto e compromete gravemente o funcionamento do coração.
“Fiquei cerca de 60 dias longe de minha filha entre todas as internações. Não pude viver os primeiros meses dela, não amamentei e me doeu muito estar no hospital cheia de leite e não poder ofertar a ela e ter aquele momento tão único e que cria uma conexão incondicional. Por fim, só me restava uma opção: lutar pela minha vida para criar o meu grande amor”, conta. A distância forçada trouxe dor, mas também transformação. “Ressignifiquei muitas coisas. Aprendi muito mais sobre sabedoria, paciência e amor pela vida. Hoje continuo não só por mim, mas por nós duas. ”
Dois anos depois, Karyne celebra cada novo dia ao lado da pequena Elisa com gratidão. “É divino ser mãe. É exaustivo, é desafiador, mas é também o amor mais verdadeiro que já senti. ”
Para além do mito da perfeição
Cada mãe tem sua história. Não existe fórmula certa, nem manual exato. Débora e Karyne representam tantas outras mulheres que atravessam a maternidade com coragem diante do inesperado. Uma que viu seu sonho se multiplicar por três. Outra que quase perdeu a própria vida, mas encontrou forças onde parecia não haver.