A proposta de criação de um vagão exclusivo para mulheres no metrô de Salvador, conhecida como “vagão rosa”, teve sua execução suspensa por decisão judicial na véspera da execução. A vereadora Marta Rodrigues (PT), autora do projeto -assim como as vereadoras Aladilce e Eliete Paraguassu- , conversou com a equipe do Tak Tá nesta segunda-feira (12) e lamentou a suspensão, destacando a importância da medida para combater o assédio nos transportes públicos.
Aprovado pela Câmara Municipal no Dia Internacional da Mulher de 2024, o projeto foi sancionado pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil) e publicado no Diário Oficial no dia 31 de março de 2025. A iniciativa determinava a criação de um vagão exclusivo para mulheres nos horários de pico. “Não é o dia inteiro, é no horário de pico, é logo de manhã e no final da tarde, que é onde as mulheres são assediadas. E que muitas mulheres, às vezes, não vão lá registrar um boletim de ocorrência porque muitas estão indo para o trabalho e aí, se forem parar [para registrar o BO], vão perder o trabalho”, explicou a vereadora.
Apesar de ser popularmente chamado de “vagão rosa”, Marta Rodrigues esclareceu que a cor será roxa em Salvador, e reforçou que o objetivo é proporcionar um espaço mais seguro para as mulheres no transporte público. No entanto, uma associação de Brasília entrou com uma ação judicial contra a medida, e um desembargador concedeu liminar exigindo mais informações antes da execução da lei.
Marta também ressaltou que o assédio muitas vezes é minimizado ou ignorado por não se manifestar de forma agressiva ou explícita. “Para muitos, isso não é violência, mas é. Isso é uma realidade. Então só as mulheres sabem de como as coisas funcionam”, afirmou.
A vereadora segue defendendo a medida como uma ferramenta necessária diante da vulnerabilidade enfrentada por mulheres nos deslocamentos diários, e aguarda a tramitação judicial para que o projeto possa avançar após análise do desembargador.