“Era muito desejado”: mães compartilham dor da perda gestacional e médica explica causas

Por Redação 15/05/2025, às 16h56 - Atualizado às 17h33

Por Stephanie Osório*

A perda de um filho ainda no ventre é uma dor silenciosa que marca profundamente a vida de muitas mulheres. Nos últimos dias, esse tipo de luto voltou ao debate público com os relatos da apresentadora Tati Machado e da atriz Micheli Machado, que perderam seus bebês já no fim da gestação. Uma tragédia rara, mas longe de ser incomum.

Para Tatiana Cardoso, nutricionista de 33 anos, o abalo aconteceu em 2016, quando seu filho João Pedro nasceu prematuro e viveu apenas quatro dias. “Era um menino muito desejado. Não tive nenhum problema durante o início da gestação, os exames estavam todos em dia. Tudo parecia correr bem”, contou.

A ruptura precoce da bolsa, aos seis meses de gestação, mudou tudo. “Quando percebi que a bolsa tinha rompido, fiquei desesperada. Entrei em pânico e fui para o hospital. Tentaram segurar o bebê com medicação, mas não foi possível. Ele nasceu prematuro e faleceu quatro dias após o nascimento”, relatou.

Tatiana ainda se recorda do impacto físico e emocional da perda, especialmente nos dias seguintes. “Eu tinha muito leite e não tinha o bebê para amamentar. Tive febre por conta disso. A única coisa que eu sabia fazer era chorar”, contou. O amor que crescia junto ao bebê foi interrompido — e, com ele, a trajetória que ela havia imaginado.

Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), o risco de morte fetal em gestações a termo varia entre 1,1 e 3,2 casos por mil nascimentos, uma taxa que aumenta após as 42 semanas. Por isso, o acompanhamento pré-natal contínuo e de qualidade é indispensável.

A obstetra Patrícia Schmitz, cofundadora da Casa Matris, destaca que algumas causas de perda no fim da gestação podem ser identificadas e tratadas ao longo do pré-natal. “Entre as causas preveníveis mais comuns estão diabetes gestacional descompensada, alterações pressóricas, trombofilias e infecções como a sífilis”, explicou.

Ainda assim, nem todas as perdas têm explicação. “Existem causas imprevisíveis, que ocorrem sem nenhum sinal ou sintoma. São tragédias raras, estimadas em uma morte a cada 3 mil gestações próximas à 37ª semana”, disse a médica. Quando acontecem, o impacto é devastador — atinge o corpo e marca a alma.

É por isso que, segundo Schmitz, o cuidado não pode acabar no diagnóstico. “O atendimento deve ser feito com muito cuidado e, de preferência, por equipe multidisciplinar com obstetra e psicóloga obstétrica especializada. Essa abordagem pode evitar traumas maiores e ajudar a mulher a encontrar força para seguir adiante”, completou.

*sob supervisão da jornalista Cíntia Santos.