Economista prevê impactos da tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros

Por Redação 17/07/2025, às 17h04 - Atualizado às 18h02

Por Stephanie Osório*

A partir de 1º de agosto, todos os produtos exportados do Brasil para os Estados Unidos passarão a pagar uma tarifa de 50%. O anúncio foi feito na última quarta-feira (9) pelo presidente americano, Donald Trump, e já levanta preocupações entre especialistas.

Trump justificou a medida com base em dois argumentos principais: o que chamou de “relação comercial desequilibrada” com o Brasil e a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo o republicano, o país estaria promovendo uma perseguição política e impondo restrições à liberdade de expressão em plataformas digitais dos EUA.

“Trata-se de uma caça às bruxas que deve acabar imediatamente”, escreveu Trump. “A partir de 1º de agosto de 2025, os EUA imporão ao Brasil uma tarifa de 50% sobre qualquer envio de produtos brasileiros aos Estados Unidos”, afirmou.

O que muda na prática?

Para o economista Firmino Filho, doutor em Economia e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), a decisão deve tornar os produtos brasileiros mais caros e menos competitivos no mercado americano.

“Na prática, significa que os produtos brasileiros vão pagar uma taxa adicional de 50% para entrar no mercado dos Estados Unidos. Isso encarece esses itens e reduz a competitividade em relação a produtos de outros países”, explicou.

Setores mais afetados 

De acordo com o professor, os setores que podem sentir os efeitos com mais intensidade são o agronegócio e a indústria de base. Entre os itens mais exportados para os EUA estão soja, carne bovina, suco de laranja, minério de ferro, aço, calçados e produtos da indústria de transformação.

“O Brasil é o maior exportador de suco de laranja do mundo, com cerca de 70% do mercado global. Esse é um dos setores que provavelmente será bastante afetado, assim como a carne e o minério de ferro”, disse.

“Se a tarifa for aplicada de forma ampla, o impacto será generalizado. Mas o governo tenta negociar exceções em setores específicos”, completou.

Efeitos na economia brasileira

Além das exportações, a medida pode trazer efeitos para o câmbio, os empregos e os investimentos no Brasil. A redução da entrada de dólares no país, segundo o especialista, tende a pressionar o valor do real.

“Com menos exportações, entra menos moeda estrangeira. Isso pode desvalorizar o real, aumentar o preço de produtos importados e reduzir o ritmo da economia, principalmente em regiões que dependem das exportações”, avaliou.

Para o economista, não está descartada a possibilidade de o dólar subir para a casa dos R$ 6,00 caso a medida provoque uma queda significativa nas vendas do Brasil aos EUA.

“Empresas exportadoras podem perder receita, o que afeta investimentos e até empregos. Os efeitos podem atingir também os consumidores, com aumento de preços e desaceleração da economia em algumas regiões”, alertou.

O Brasil pode responder com retaliações?

Sobre a possibilidade de o Brasil responder com uma retaliação, Firmino defende que o melhor caminho é a negociação.

“A saída precisa ser diplomática. Um confronto direto com os Estados Unidos traria riscos maiores para a economia brasileira”, disse.

O professor lembrou que o Brasil aprovou recentemente a Lei de Reciprocidade Econômica, que autoriza a aplicação de sanções a países que adotem medidas comerciais restritivas contra o país. Mesmo assim, ele destaca a importância da relação com os EUA.

“Os Estados Unidos são a segunda maior economia parceira do Brasil. Mesmo com as tensões, continuam sendo um parceiro comercial estratégico. Não temos outro país que possa substituí-los no médio prazo”, concluiu.

*sob supervisão do jornalista Thiago Conceição.