Trump diz que tarifa de 50% é para países com os quais os EUA “não se dão bem”

Por Redação 24/07/2025, às 16h31 - Atualizado às 15h12

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (23) que o novo pacote de tarifas comerciais não terá alíquotas inferiores a 15% antes de 1º de agosto. A medida eleva o piso das sobretaxas e sinaliza uma postura mais agressiva nas relações comerciais internacionais.

“Teremos uma tarifa direta e simples de algo entre 15% e 50%”, declarou Trump durante uma cúpula de inteligência artificial em Washington. “Alguns — temos 50% porque não temos nos dado muito bem com esses países”. Entre os afetados, o Brasil aparece como o único país a ser incluído no tarifaço de 50%. A justificativa do presidente americano está diretamente ligada ao que classificou como “caça às bruxas” promovida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O movimento marca uma guinada em relação à proposta anterior, em que Trump havia sugerido tarifas de 10% ou 15% para mais de 150 países. Agora, o patamar mínimo estabelecido é de 15%, com possibilidade de chegar ao teto de 50% nos casos de maior atrito com o presidente.

Trump tem classificado unilateralmente as comunicações enviadas aos países como “acordos”, recusando-se, em muitos casos, a iniciar negociações bilaterais. Ainda assim, afirma estar aberto a revisões nas tarifas caso os países aceitem contrapartidas.

Apesar de falar isso, o Brasil segue sem qualquer avanço. Faltando apenas nove dias para o fim do prazo estabelecido para a aplicação das novas tarifas, não há canal oficial de negociação entre os governos. A resposta americana depende exclusivamente de uma autorização direta de Trump ao que parece, e o tema está “sem previsão” de andamento na Casa Branca.

Trump declarou que prefere tarifas “muito, muito simples” para países com os quais não pretende negociar diretamente. “Há tantos países que não é possível negociar acordos com todos”, afirmou. Ainda assim, ele reforçou que, se a União Europeia aceitar abrir seu mercado para empresas americanas, “permitiremos que paguem uma tarifa mais baixa”.

A decisão reforça a tendência do atual governo americano de adotar uma política comercial mais dura e seletiva, usando as tarifas como instrumento de pressão diplomática.