O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta quinta-feira (14), as sanções impostas pelos Estados Unidos contra servidores brasileiros ligados ao programa Mais Médicos. Em evento em Goiana (PE), Lula classificou como injusta a decisão de Washington de revogar vistos de funcionários e ex-funcionários do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) por participação na cooperação com Cuba.
“A nossa relação com Cuba é de respeito a um povo vítima de um bloqueio há 70 anos. Os Estados Unidos fizeram uma guerra, perderam, e agora precisam deixar os cubanos viverem em paz”, disse o presidente.
Entre os atingidos pelas sanções estão Mozart Julio Tabosa Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde, e Alberto Kleiman, coordenador-geral da COP30.
Segundo Lula, a medida é reflexo do bloqueio histórico dos EUA contra a ilha caribenha, que desde a década de 1960 mantém programas de envio de médicos para outros países.
Criado em 2013, o Mais Médicos levou assistência básica a mais de 4 mil municípios e beneficiou 66,6 milhões de pessoas, segundo o Ministério da Saúde. Os cubanos chegaram a representar 64% dos profissionais nos primeiros anos do programa. Hoje, ainda são 10% dos mais de 26 mil médicos, mas não atuam mais via Opas.
Especialistas afirmam que a participação dos cubanos ajudou a reduzir o déficit de atenção primária, melhorar a relação médico-paciente e diminuir internações por causas evitáveis. Pesquisa da UFMG e Ipespe mostrou 95% de aprovação popular, com nota média de 8,4.
O presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Rômulo Paes, classificou a decisão dos EUA como política, não de saúde.
“Não é verdade que o Brasil tinha excepcionalidade. Cuba coopera com mais de cem países, inclusive Portugal, Espanha e Ucrânia. Vão punir todos?”, questionou.
Novas Estruturas
Além da defesa do Mais Médicos, Lula inaugurou dois novos blocos da Hemobrás, voltados ao fracionamento de plasma e à produção de medicamentos hemoderivados. Com investimento de R$ 1,9 bilhão, a planta permitirá autonomia no fornecimento de insumos como albumina, imunoglobulina e fatores de coagulação VIII e IX para o SUS.
O presidente destacou que a ampliação da Hemobrás é um marco para a soberania nacional no setor farmacêutico.
“A Hemobrás veio para mostrar que o Brasil é soberano e não tem medo de ameaça”, afirmou.
Com a nova estrutura, a produção nacional poderá chegar a 500 mil litros de plasma fracionado por ano e seis tipos de medicamentos. A expectativa é que o fracionamento comece no próximo ano, reduzindo a dependência de processamento no exterior.