Por Gabriela Encinas
A tradicional referência da pressão arterial “12 por 8”, vista como sinônimo de normalidade, já não vale mais no Brasil. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apresentou, nesta quinta-feira (18), a nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, que altera os parâmetros usados pelos médicos no diagnóstico.
De acordo com a atualização, valores entre 12 por 8 e 13 por 9 milímetros de mercúrio (mmHg) passam a ser enquadrados na categoria de pré-hipertensão, estágio em que já se recomenda mudanças no estilo de vida para evitar complicações futuras. A pressão considerada realmente normal agora é de 12 por 7.
A mudança coloca o Brasil em sintonia com outros países. Em 2024, há mais ou menos um ano atrás, ocorreu o Congresso Europeu de Cardiologia, em Londres, e médicos de diferentes países já haviam estabelecido critérios mais rígidos para o controle da pressão, reduzindo a faixa de normalidade e incentivando a detecção precoce.
Em entrevista ao TakTá, o médico cardiologista Dr. Marcos Barojas, diretor da Associação Bahiana de Medicina (ABM), explicou que a decisão divulgada agora pela SBC resulta de um processo longo dentro da medicina. Segundo ele, “a prática médica é baseada em evidências. E essas evidências ficam cada vez mais consistentes conforme as pesquisas”. Marcos também lembrou que anteriormente a pressão abaixo de 14 por 9 era considerada a normal, mas após estudo chegou-se a 12 por 8, e conforme a sociedade muda os hábitos e a tecnologia avança os estudos médicos também.
A Dra Marianna Andrade, médica cardiologista e coordenadora do serviço de cardiologia do Hospital Mater Dei Salvador, disse ao TakTá que acredita que a mudança da pressão considerada normal se dá por conta de estudos “observacionais que mostram que pressões a partir desses níveis já aumentam o risco cardiovascular”, e que é normal alterações no meio médico, já que “as diretrizes das sociedades de cardiologia são atualizadas periodicamente para incorporar informações”.
O diretor destacou que os estudos já apontavam há anos que pacientes com pressão de 12 por 8 apresentavam maior risco de complicações no futuro, em comparação àqueles com níveis menores. “Essa publicação não é nova para a medicina, mas se torna mais exposta à mídia quando esses valores passam a constar oficialmente nas diretrizes”, acrescentou.
A principal mudança, de acordo com Barojas, está na atenção que será dada “nós vamos ter que ficar mais atentos, mais ativos para vigiar se essa paciente de 12 por 8 vai apresentar valores mais elevados”.
O diretor da ABM ainda reforçou que a “pressão de 12 x 8 não é a pressão que precisa ser medicada, é uma pressão para ser vigiada e principalmente as condições que intervêm para essa pressão, como peso, ingestão de sal, idade, genética e envelhecimento”.
A coordenadora de cardiologia do Mater Dei acredita que “nesse estágio de pré hipertensão as pessoas devem adotar medidas não medicamentosas que envolvem o estilo de vida”, mas que em alguns casos, em que o paciente tenha algum risco cardíaco, como “diabetes, doença renal, infarto prévio […] Podem ser indicados tratamento medicamentoso nesse estágio de pré hipertensão”.
Dr. Marcos Barojas também destacou que o Brasil demorou um pouco mais para adotar os novos parâmetros porque a construção de uma diretriz passa por um ciclo de estudos, debates e alinhamentos. “Esse ciclo se encerra agora nessa publicação”, e acredita que a partir de agora “é trabalhar para que as pessoas tenham essa informação, tenham essa mudança de conduta para melhoria da saúde da população”, afirmou.
O médico cardiologista também faz a recomendação que todo paciente clínico precisa procurar um médico clinico para fazer uma avaliação “em média uma vez no ano”.
Prevenção:
Sobre as medidas de prevenção, Barojas foi categórico: “A conduta começa sem remédio” e por isso recomenda:
- Cuidar para não ter excesso de peso;
- Não fumar cigarro;
- Fazer atividade física, mais de 160 minutos semanais;
- Reduzir a ingestão de sal;
- Reduzir também o consumo de alimentos ultra processados, que concentram muito sódio.

Foto: Arq. Bras. Cardiol 2025
O médico lembrou ainda que a hipertensão é considerada a “assassina silenciosa”, pois muitas vezes não apresenta sintomas. Por isso, medir regularmente a pressão arterial e adotar hábitos saudáveis é essencial para reduzir os riscos de infarto, AVC e outras complicações cardiovasculares.