O Esporte Clube Vitória divulgou a ata da reunião extraordinária do Conselho Deliberativo realizada no dia 3 de setembro, confirmando a aprovação da proposta de cessão de 15% dos direitos de exploração comercial relacionados à participação do clube no Campeonato Brasileiro, no período de 2025 a 2074. A operação, apresentada pela empresa Sports Media Entertainment S/A (SME), tem valor fixo de R$ 68,2 milhões.
A estrutura do acordo prevê R$ 40,2 milhões à vista — condicionados à adesão à Liga Forte União (LFU) —, R$ 3 milhões a serem pagos em até 12 meses e outros R$ 25 milhões já compensados anteriormente. Dos 93 conselheiros presentes, 54 votaram a favor, 36 contra, dois se abstiveram e um não registrou voto.
O documento ressalta que a operação não se enquadra no inciso XI do artigo 53 do Estatuto Social, que trata de alienações patrimoniais e exigiria aprovação por dois terços. Dessa forma, foi validada a aprovação por maioria simples.
Contestação da oposição
A Frente Vitória Popular (FVP), grupo formado por sócios e torcedores, denunciou nesta quarta-feira (24) o que classifica como “graves ilegalidades” no processo. A entidade afirma que a cessão equivale a uma alienação patrimonial e, portanto, deveria ter sido aprovada por quórum qualificado.
“A tentativa de reclassificar a operação como antecipação de receita é uma manobra para contornar o estatuto”, acusa a nota. O grupo também aponta falta de transparência na convocação da reunião, além da unificação em uma única votação de temas distintos: a cessão dos direitos e a adesão à LFU.
Outro ponto criticado é o valor líquido da operação, considerado baixo diante do período de 50 anos: “Vender o futuro do Vitória por aproximadamente R$ 43 milhões é um negócio danoso ao patrimônio do clube”, sustenta a FVP.
O movimento também questiona divergências entre o parecer do Conselho Fiscal e o texto aprovado, afirmando que o relatório tratava apenas de uma operação até 2029. Diante disso, anunciou que protocolou requerimentos nos Conselhos Deliberativo e Fiscal e que, caso a decisão seja mantida, buscará anulação na Justiça.
Resposta do clube
Após a repercussão, o Conselho Gestor do Vitória emitiu nota pública agradecendo a aprovação da proposta e destacando a importância da decisão para o futuro do clube.
“O Conselho Gestor manifesta seu mais sincero agradecimento aos membros do Conselho Fiscal e do Deliberativo, que, com maturidade democrática e compromisso com o destino do clube, aprovaram uma operação de grande relevância para a Instituição”, diz o texto.
O comunicado afirma ainda que a medida reforça a governança e a transparência do clube em um momento de dificuldades financeiras e pavimenta o caminho para discussões futuras, como a criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
O Vitória destacou também a atuação dos presidentes Raimundo Viana (Conselho Fiscal) e Nilton Almeida (Conselho Deliberativo) pela condução do processo.