A Petrobras anunciou, nesta quarta-feira (8), um amplo pacote de investimentos na indústria naval da Bahia, A estatal vai reativar os estaleiros de São Roque do Paraguaçu, em Maragogipe, e ampliar as atividades do Estaleiro Enseada, além de retomar a produção de fertilizantes pela FAFEN e expandir a frota da Transpetro.
Os projetos somam R$ 2,6 bilhões em investimentos e devem gerar mais de 5 mil empregos diretos e indiretos, fortalecendo a cadeia produtiva nacional e reduzindo a dependência de importações.
De acordo com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a reativação de São Roque do Paraguaçu será fundamental para apoiar o Estaleiro Enseada, que voltará a operar em plena capacidade.
“Nós vamos reformar o estaleiro de São Roque. Ele será de fundamental importância para as obras do Estaleiro Enseada e também servirá de apoio para a Petrobras na Bahia”, afirmou Magda.
A presidente destacou ainda que a medida integra a estratégia de reocupação de estruturas ociosas da estatal. “É fazer dinheiro com canteiros que estavam inaproveitados. Estamos otimizando os negócios da Petrobras e trazendo de volta instalações que estavam subaproveitadas.”
A retomada das atividades é fruto do Consórcio Enseada-Tenenge, que firmou contrato com a Compagnie Maritime Monegasque (CMM) para a construção de novos navios de apoio à Petrobras. O Estaleiro Enseada, com capacidade para processar 100 mil toneladas de aço por ano, dispõe de oficinas automatizadas e equipamentos de ponta, enquanto a Tenenge agrega décadas de experiência em engenharia e montagem.
O presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, afirmou que o Estaleiro Enseada já está em funcionamento, com 700 funcionários, número que deve subir para 1.700 com a nova fase de obras. Segundo ele, serão construídas seis embarcações na Bahia, com prazo de execução de quatro anos e contratos de operação de até 12 anos.
“Essas obras do Sistema Petrobras irão ampliar o número de empregados e fortalecer a indústria naval baiana”, destacou Bacci.
A Transpetro também vai dobrar sua frota, atualmente com 26 navios. Estão previstos editais para 20 barcaças, 20 empurradores e quatro novos navios MRU, além da entrada da companhia no segmento de barcaças — que atuarão no fornecimento de combustível em toda a costa brasileira.
“Vamos eliminar os intermediários”, afirmou Bacci, mas explicou o motivo: “Hoje a Petrobras vende o combustível para uma empresa embarcar, e essa empresa acaba vendendo combustível para os nossos navios. A Transpetro vai fazer o fornecimento do bunker para os navios que atendem à Petrobras”.
Magda Chambriard também confirmou a retomada da FAFEN, que voltará a produzir fertilizantes nitrogenados em parceria com a ANSA (Araucária Nitrogenados S.A.). A expectativa é que, a partir de 2026, as duas unidades respondam por 20% da demanda nacional, reduzindo a dependência de importações.
A executiva destacou ainda a importância estratégica da Bahia para a companhia. “O petróleo no Brasil nasceu na Bahia. O estado tem um litoral enorme e facilidades instaladas. Essa retomada é uma oportunidade de reaquecer o setor naval e ampliar o mercado de gás natural e fertilizantes”.
O diretor de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Claudio Schlosser, explicou que a estatal está renovando a frota de apoio offshore, após oito anos sem contratar embarcações da indústria nacional.
“Os PSVs são os caminhões do mar, transportam água, combustível, equipamentos e suprimentos para as plataformas. Já os OSRVs atuam no recolhimento de óleo em caso de vazamentos. Estamos incorporando 22 embarcações ao sistema”, detalhou.