O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta sexta-feira (10) em São Paulo, um novo modelo de crédito imobiliário que visa ampliar o alcance dos programas de habitação para a classe média, focando em famílias com renda superior a R$ 12 mil. Segundo o governo, a iniciativa deve gerar 80 mil novas moradias até 2026.
Lula afirmou que o programa busca atender trabalhadores que, apesar de não se enquadrarem no Minha Casa, Minha Vida (MCMV), ainda encontram dificuldades para adquirir um imóvel. “Essas pessoas não são pobres, não estão na faixa 1 nem na faixa 2, mas também não conseguem comprar casa. Esse programa foi feito pensando nessa gente”, declarou.
Fim do Compulsório e Aumento do Teto
As mudanças centrais do novo modelo são:
- Teto do SFH: O valor máximo de imóveis financiados pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) foi elevado de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões.
- Poupança: O novo modelo prevê o fim gradual dos depósitos compulsórios da poupança no Banco Central (atualmente 20%). A ideia é que o total de recursos da poupança sirva de referência para ampliar a oferta de crédito habitacional.
A reestruturação visa aumentar a competição no setor, permitindo que bancos que não captam poupança possam oferecer crédito habitacional em condições semelhantes, por meio de instrumentos como LCIs e CRIs.
A implementação será gradual até 2027. Quando o sistema estiver totalmente em vigor, 80% dos financiamentos deverão seguir as regras do SFH, com juros limitados a 12% ao ano. O governo espera que a medida estimule o setor habitacional, considerado estratégico para a geração de emprego e renda.