Depois de 11 anos do acidente que a deixou tetraplégica, a ex-ginasta Laís Souza voltou a sentir um novo estímulo no corpo. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ela comemorou ao perceber movimento e sensibilidade no dedo mínimo da mão esquerda.
“Bem-vinda (nova sensibilidade)”, disse, surpresa, ao notar a reação. “Devo sentir de uns três a cinco por cento”, estimou. Segundo Laís, a sensação é diferente de um toque: “É pressão, formigamento, algo entre o nada e o quase”. O episódio aconteceu à noite, e ela voltou a testar o movimento mais tarde.
Laís sofreu o acidente em 27 de janeiro de 2014, durante um treino de esqui aéreo nos Estados Unidos, menos de um ano após trocar a ginástica artística pela nova modalidade. Ela se chocou contra uma árvore, sofreu fraturas nas vértebras cervicais C3 e C4 e lesão grave na medula espinhal.
Tinha 24 anos. Sobreviveu ao que os médicos consideravam improvável e precisou reaprender a viver, agora dependente de cuidados diários. Hoje, a rotina de Laís é marcada por fisioterapia, palestras e atividades de autocuidado.
A ex-ginasta também acompanha pesquisas científicas sobre regeneração da medula, incluindo estudos com polilaminina, proteína derivada da placenta, e testes em Israel que utilizam medula espinhal 3D feita com células do próprio paciente.
Durante o processo de reabilitação, Laís também enfrentou abusos sexuais cometidos por cuidadores. Desde então, ela instalou câmeras em casa, passou a treinar pessoalmente os cuidadores e não permite que homens exerçam funções íntimas.