Morreu na noite desta sexta-feira (23), em Salvador, o artista plástico Aurelino dos Santos, aos 83 anos. A causa da morte foi insuficiência respiratória. A informação foi divulgada pela Ernesto Bitencourt Galeria, que representava o artista. O sepultamento ocorre neste sábado (24), às 15h, no cemitério Jardim da Saudade, no bairro de Brotas. O velório será realizado no mesmo local, a partir das 14h, na Capela E.
Nascido em Salvador em 16 de junho de 1942, Aurelino dos Santos construiu uma trajetória singular nas artes visuais brasileiras. Autodidata e não alfabetizado, aprendeu apenas a grafar o próprio nome. Na juventude, trabalhou como cobrador de ônibus e iniciou a carreira artística por influência do escultor baiano Agnaldo Santos, com incentivo da arquiteta Lina Bo Bardi, que viabilizou tintas e telas e organizou sua primeira exposição, em 1963, no foyer do Teatro Castro Alves.
Diagnosticado com esquizofrenia, Aurelino foi muitas vezes rotulado como excêntrico, mas consolidou-se como um observador atento do cotidiano urbano. Suas obras são marcadas por construções geométricas rigorosas, elaboradas a partir de materiais recolhidos pelo próprio artista e transformados em moldes para suas composições.
Críticos, colecionadores e agentes do mercado de arte frequentemente associam seu trabalho ao de modernistas brasileiros como Tarsila do Amaral e Alfredo Volpi, e destacam sua relevância no cenário nacional, considerando-o um dos grandes nomes da pintura contemporânea no país.
As obras de Aurelino dos Santos integram importantes coleções públicas e privadas e são comercializadas por galerias em todo o Brasil. O artista participou de feiras como SP-Arte, ArtRio, ArPa, Rotas Brasileiras e Feira da Hebraica, além de realizar exposições individuais em espaços como a Galeria Estação, Galeria Simões de Assis, Museu Afro Emanoel Araújo, Museu de Arte Moderna da Bahia e Museu Nacional da República. Seus trabalhos também foram exibidos em cidades como Paris, Madri, Valência e Los Angeles.