ONU alerta para risco de colapso financeiro diante de falta de recursos

Por Redação 31/01/2026, às 20h26 - Atualizado às 15h28

Sem recursos dos Estados Unidos e com dezenas de países inadimplentes, a Organização das Nações Unidas (ONU) enfrenta a pior crise financeira de sua história. Em mensagem enviada nesta sexta-feira (30) aos 193 Estados-membros, o secretário-geral António Guterres alertou para o risco de colapso financeiro da instituição.

Segundo Guterres, sem novas contribuições, os recursos podem se esgotar já em julho. Embora dificuldades de caixa não sejam inéditas, o cenário atual é mais grave. Nos últimos anos, a ONU já adotou medidas emergenciais, como cortes de energia e aquecimento em prédios da entidade em Genebra, para reduzir despesas.

A crise se aprofundou após a retirada dos Estados Unidos de mais de 30 agências da ONU e a suspensão de repasses ao orçamento regular. Washington também bloqueou cerca de 70% dos recursos destinados às operações de paz. Em dezembro, o governo norte-americano prometeu US$ 2 bilhões para agências humanitárias, valor bem inferior ao destinado em 2022 e condicionado ao cumprimento de critérios políticos.

Os efeitos já atingem populações vulneráveis. No Afeganistão, a agência da ONU para Mulheres fechou serviços em um país com uma das maiores taxas de mortalidade materna do mundo. Em campos de refugiados, houve redução de até metade na distribuição de alimentos.

Paralelamente, foi anunciada a criação de um Conselho da Paz que pode rivalizar com a ONU, com exigência de aporte financeiro elevado para participação permanente.

Guterres apelou à mobilização da comunidade internacional, mas o contexto é adverso. Países europeus vêm reduzindo investimentos em ajuda humanitária e ampliando gastos militares. Em 2025, apenas 77% das contribuições obrigatórias foram pagas, deixando um volume recorde em aberto.

O secretário-geral reforçou que, sem o pagamento integral e pontual das contribuições ou uma reformulação das regras financeiras, a ONU corre o risco de um colapso financeiro iminente.