Salvador vive nesta segunda-feira (2) um dos momentos mais emblemáticos do seu calendário cultural e religioso com a realização da Festa de Iemanjá, no bairro do Rio Vermelho. A celebração, que reúne milhares de fiéis, pescadores e visitantes, reforça a força das tradições de matriz africana e a devoção à orixá considerada protetora dos mares.
As homenagens começaram ainda na noite de domingo (1º), com a entrega do presente de Oxum, realizada no Dique do Tororó. O ritual teve início com um cortejo que partiu do Terreiro Olufanjá (Ilê Axê Iyà Olufandê), no bairro de Beiru–Tancredo Neves, e seguiu até o Dique, onde a oferenda foi entregue à meia-noite, abrindo oficialmente as celebrações.
Já nas primeiras horas desta segunda-feira, aconteceu o principal ato da festa. O presente dedicado a Iemanjá deixou o galpão às 4h30 e chegou à Praia de Santana, na Colônia de Pesca Z-01, por volta das 5h, horário marcado pela tradicional alvorada de fogos que anuncia o início das homenagens no Rio Vermelho.
A oferenda permanece exposta no caramanchão ao longo do dia e, a partir das 16h, é levada ao mar em um cortejo marítimo conduzido por pescadores da Colônia Z-01, acompanhados pela Iyalorixá do Terreiro Olufanjá, Mãe Nicinha de Nanã, e seus filhos de santo. O trajeto segue até a Loca de Iaiá, a cerca de três milhas náuticas da costa, onde ocorre a entrega simbólica à Rainha do Mar, com apoio da Capitania dos Portos da Bahia.
Além dos rituais na praia e no mar, os devotos também participam das homenagens na Casa de Iemanjá, que funciona de forma ininterrupta desde a manhã de domingo até as 16h desta segunda-feira. No espaço, organizado pelos pescadores da colônia, ficam a imagem principal da orixá, os balaios e outros elementos que integram uma das maiores manifestações religiosas e culturais da Bahia.