O Circuito Orlando Tapajós, entre Ondina e Barra, voltou a ser tomado por cores, música e tradição neste domingo (8), durante mais uma edição do Fuzuê. A festa, que neste ano passou do sábado para o domingo, manteve o clima de celebração e reuniu foliões de diferentes idades ao longo do percurso.
Fanfarras e grupos culturais conduziram o cortejo, transformando as ruas em um grande desfile de alegria. A programação começou com a Bike Salvador Fantasia, que levou ciclistas caracterizados ao circuito. Na sequência, a Banda da Guarda Civil Municipal abriu oficialmente as apresentações, embalando o público.
Vestido de pirata, o aposentado João Batista, 72 anos, avaliou que a mudança de dia favoreceu a participação das famílias. Segundo ele, o domingo permite mais tranquilidade para reunir filhos e netos antes de seguir para a festa, criando um ambiente propício para quem aprecia manifestações mais tradicionais. Ao lado da neta fantasiada de sereia, ele registrava o momento pelo celular e destacava que experiências como essa ajudam a construir memórias afetivas para as crianças.
A estudante de História Camila Santana, 21, também chamou atenção ao desfilar com uma fantasia produzida a partir de materiais recicláveis, como tampinhas, lacres e retalhos. A proposta, explicou, foi unir criatividade e consciência ambiental, mostrando que é possível criar figurinos expressivos ao mesmo tempo em que se reflete sobre o lixo produzido no cotidiano.
Para o vendedor ambulante José Carlos, 45, que trabalha há 15 anos em eventos populares, o pré-Carnaval representa um dos períodos mais importantes do ano. Ele relatou que o público de domingo permanece mais tempo nas ruas, consome com calma e favorece o trabalho dos ambulantes, diferentemente do movimento mais apressado observado aos sábados.
Entre os destaques culturais esteve o Afoxé Baianas do Reino de Oyá, formado majoritariamente por baianas de acarajé e presente no pré-Carnaval pelo terceiro ano consecutivo. A presidente da Associação de Baianas de Acarajé (Abam), Rita Santos, ressaltou que o cortejo valoriza a presença das baianas como patrimônio cultural. Neste ano, o grupo apresentou ainda a participação do coletivo infantil Africanidade, reunindo dez crianças. Cerca de 30 baianas desfilaram, representando bairros como Brotas e Engenho Velho, celebrando história, religiosidade e tradição nas ruas.
Outro grupo presente foi o Maravilhosas, coletivo feminino que transformou amizade em tradição carnavalesca. Surgido de encontros entre cunhadas e amigas nos primeiros anos do Fuzuê, o grupo hoje reúne quase 30 integrantes e investe em fantasias temáticas a cada edição. Após desfilarem como super-heroínas e deusas gregas em anos anteriores, neste ano apostaram em figurinos inspirados no cabaré.
Com 62 anos de história, o bloco vocal Paroano Sai Milhó também marcou presença no circuito. Fundado no bairro da Saúde e conhecido pelas apresentações sem instrumentos elétricos, o grupo participou do Fuzuê entoando arranjos apenas com vozes. Integrante do bloco, Lindbergh Macedo lembrou que o Paroano esteve entre os primeiros a aderir ao desfile, reforçando a proposta de um Carnaval mais próximo do público.
A programação do pré-Carnaval de Salvador continua nesta segunda-feira (9), com a Melhor Segunda-Feira do Mundo, comandada por Xanddy Harmonia. Na terça (10), ocorre o Pipoco, com Léo Santana, seguido pela festa Habeas Copos, dedicada às fanfarras, na quarta (11). A abertura oficial do Carnaval será na quinta-feira (12), no Campo Grande, com o espetáculo “A Rota do Samba”.