Durante o encerramento do Carnaval 2026, o Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) acompanhou a devolução de crianças e adolescentes aos pais que trabalharam como ambulantes nos circuitos da festa. A ação faz parte da fiscalização das unidades municipais de acolhimento temporário, estruturadas para oferecer proteção e alimentação aos filhos de trabalhadores informais enquanto eles garantiam a renda na folia.
“Deixei meus filhos aqui e sai apreensiva. No outro dia, vim visitar e fiquei tão feliz quando vi que eles estavam bem alimentados, cuidados pelas assistentes. Aquilo me tranquilizou pra trabalhar”. O depoimento é de uma ambulante de 30 anos, mãe de duas crianças, de sete e dois anos, que recorreu ao serviço de acolhimento e convivência para assegurar o sustento durante o Carnaval de Salvador.
Andreza Souza contou que a decisão de deixar os filhos em uma unidade desconhecida foi difícil. “Mas, no final, fiquei feliz porque eles ficaram em um lugar com segurança, assistência e cuidado”, afirmou, ao reencontrá-los.
Ao longo da festa, o MP realizou inspeções para verificar o funcionamento dos espaços. No ano anterior, o órgão também promoveu reuniões com a rede de proteção à criança e ao adolescente e articulou ações com outras instituições para assegurar serviços essenciais ao público infantojuvenil em situação de vulnerabilidade.
Ela buscou os filhos na manhã desta quarta-feira (18), na Escola Municipal Casa da Amizade, em Ondina — uma das cinco unidades disponibilizadas pela Prefeitura. Desde o dia 12, o local acolheu 121 crianças e adolescentes de zero a 17 anos. Por volta das 10h, 16 ainda aguardavam os responsáveis.
A promotora de Justiça Rita Tourinho, acompanhada da psicóloga Lua Cal e da pedagoga Simeir Viana, esteve nas escolas para observar o fluxo de saída, verificar intercorrências e avaliar melhorias para o próximo ano.
Segundo Rita Tourinho, “o MP, dentro da sua missão institucional, acompanhou a retirada das crianças das casas de acolhimento, onde mais de 600 crianças foram acolhidas”. Ela acrescentou: “Observamos a necessidade de ampliação da rede, no próximo ano, para que o serviço possa ser melhor prestado, já que está ganhando a confiança dos pais que trazem suas crianças a essas casas para que possam trabalhar durante os festejos carnavalescos”. Em 2025, 400 crianças foram atendidas.
Na Escola Municipal Santa Terezinha, na Barra, às 9h25, 47 das 70 crianças já haviam sido entregues às famílias. Entre elas, 17 bebês de até um ano, reforçando a importância de estrutura adequada para atender os mais vulneráveis. O encerramento do serviço estava previsto para as 11h, com acionamento dos responsáveis em caso de remanescentes.