O Irã alertou que o preço do petróleo pode chegar a US$ 200 por barril, enquanto suas forças atacavam navios mercantes nesta quarta-feira (11). A tensão ocorre em meio a quase duas semanas de conflito desencadeado por ataques aéreos conjuntos dos EUA e Israel, que já deixaram cerca de 2 mil mortos, principalmente iranianos e libaneses, e afetaram mercados globais de energia e transporte.
O confronto continua intenso. Ontem, três embarcações foram atingidas no Golfo Pérsico, e a Guarda Revolucionária do Irã informou que disparou contra navios que desobedeceram suas ordens. Ao mesmo tempo, Israel mantém operações ofensivas, com o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmando que a campanha “continuará sem limite de tempo até atingir todos os objetivos”.
O Pentágono descreveu os ataques aéreos recentes como os mais intensos desde o início da guerra, enquanto o Irã também lançou drones e mísseis em alvos no Oriente Médio, mostrando que ainda pode retaliar. Autoridades norte-americanas alertaram que o Irã e milícias alinhadas podem mirar infraestruturas de petróleo e energia dos EUA no Iraque, além de já terem atacado hotéis frequentados por americanos na região.
O conflito gerou grande volatilidade nos mercados: os preços do petróleo chegaram a quase US$ 120 por barril no início da semana, caíram para cerca de US$ 90 e voltaram a subir quase 5% nesta quarta-feira. Em resposta, a Agência Internacional de Energia (AIE) recomendou a liberação de 400 milhões de barris das reservas estratégicas globais, a maior ação desse tipo da história, apoiada pelos EUA.
No mar, 14 navios mercantes já foram atingidos desde o início da guerra, incluindo embarcações de bandeiras tailandesa, japonesa e das Ilhas Marshall. Um graneleiro tailandês foi incendiado, deixando tripulantes desaparecidos ou presos em compartimentos da embarcação.
Internamente, o Irã registrou grandes funerais para comandantes mortos em ataques aéreos, com multidões às ruas carregando caixões, bandeiras e retratos de líderes mortos. Enquanto isso, a população de Teerã se adapta aos ataques noturnos, com muitos buscando refúgio fora da cidade.
Apesar de apelos para que o regime iraniano ceda, o sistema político permanece firme. Um representante de partidos curdos no Irã alertou que dezenas de milhares de jovens estariam prontos para se mobilizar caso recebam apoio externo.
O conflito e a escalada nos ataques refletem a complexidade da região e o risco contínuo de impactos econômicos globais, especialmente nos preços do petróleo, enquanto EUA e Israel afirmam que o objetivo é neutralizar a capacidade do Irã de projetar poder além de suas fronteiras e conter seu programa nuclear.