Uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, encomendada pela Fundação Itaú e pelo Todos Pela Educação, revelou que pais, mães e responsáveis estão preocupados com o aprendizado e a permanência dos filhos nas escolas públicas municipais. O levantamento, que ouviu 4.969 responsáveis por estudantes de 6 a 18 anos entre julho e agosto de 2024, mostrou que um em cada três responsáveis acredita que os filhos não estão aprendendo o esperado para a idade.
Entre os principais desafios apontados, 91% defendem o fortalecimento do ensino de matemática e mais de 80% apoiam a ampliação de atividades artísticas, esportivas e culturais, além da inclusão de temas sobre diversidade étnico-racial nos currículos escolares.
A permanência dos alunos nas escolas é uma preocupação de 51% dos responsáveis, com índices maiores entre famílias de menor renda (53%) e de estudantes nos anos finais do ensino fundamental (57%).
Para Natália Fregonesi, coordenadora de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, esses dados são um alerta para os gestores públicos. “É uma percepção clara de que a educação precisa melhorar. Isso sinaliza a necessidade de investimentos e prioridade política no setor”, afirmou.
A matemática é o conteúdo que mais preocupa os responsáveis. A pesquisa indicou que 91% acreditam na necessidade de reforçar o ensino da disciplina. Essa preocupação é corroborada por resultados do Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciências (Timss), que mostram que mais da metade dos estudantes brasileiros do ensino fundamental não domina conhecimentos básicos na área.
A ampliação de escolas em tempo integral foi apontada como a ação prioritária na educação por 30% dos entrevistados. A proposta foi defendida por Fregonesi, que destacou o potencial dessas escolas para oferecer reforço em matemática e ampliar atividades culturais e artísticas.
O governo federal lançou, em 2023, o Programa Educação em Tempo Integral, com a meta de alcançar 3,2 milhões de matrículas até 2026, promovendo jornadas escolares de ao menos sete horas diárias.
Melhorias na infraestrutura escolar (20%) e nas condições de trabalho dos professores (17%) também foram indicadas como prioridades pelos responsáveis. A valorização dos professores foi amplamente reconhecida, com 70% dos entrevistados afirmando que os filhos se sentem acolhidos pelos docentes.
Além disso, 86% destacaram que o acompanhamento do desenvolvimento dos alunos e a formação continuada dos professores são essenciais para a melhoria da aprendizagem. “Os professores são os profissionais mais importantes para garantir o aprendizado dos estudantes. Investir na qualificação e nas condições de trabalho desses profissionais é fundamental”, concluiu Fregonesi.
A pesquisa reforça o papel central da educação na construção de um futuro melhor e aponta caminhos que gestores e governantes devem priorizar para atender às demandas das famílias brasileiras.