Inovação baiana: Estudantes criam chocolate sem açúcar para ajudar 13 milhões de diabéticos

Por Redação 14/04/2026, às 08h05 - Atualizado às 07h51

Um grupo de pesquisadores do Centro Territorial de Educação Profissional Médio Rio das Contas, em Ipiaú, no sul da Bahia, desenvolveu o ChocoMed, um chocolate funcional criado especificamente para atender as necessidades de pessoas com diabetes tipo 2. O projeto é fruto de um ano de pesquisas conduzidas por Lívia Bispo, de 17 anos, Elias Costa, de 18, e Adígena Neta, de 17, sob a orientação do professor Lucas da Conceição. A iniciativa busca atender uma demanda crescente no Brasil, onde dados da Sociedade Brasileira de Diabetes indicam que mais de 13 milhões de pessoas vivem com a doença, o que representa cerca de 6,9% da população nacional.

A receita combina 70% de cacau com sementes de abóbora e um ingrediente central: o açúcar extraído do melão-de-São-Caetano, planta conhecida por auxiliar no controle glicêmico. O diferencial é que o produto possui baixo índice glicêmico, o que evita picos de insulina no organismo. O projeto aproveita a vocação cacaueira da região para criar um item de alto valor agregado com foco em saúde.

Apesar do sucesso inicial dos protótipos, o projeto ainda não está pronto para comercialização imediata. O objetivo agora é transformar a iniciativa em uma linha completa de produtos que destaque a importância do cacau na economia, na história e na saúde regional. Os próximos passos incluem a realização de novos estudos técnicos, a obtenção de patente, a atração de investidores e a estruturação de uma cooperativa para viabilizar a produção em escala.

Entenda a Diabetes Tipo 2

A inovação ganha relevância diante da complexidade da Diabetes Tipo 2, doença crônica marcada pelo aumento da taxa de açúcar no sangue. A médica endocrinologista Ana Mayra explica que a condição ocorre pela redução na produção de insulina pelo pâncreas ou pela resistência à insulina, quando o organismo não consegue utilizar o hormônio adequadamente. O excesso de peso é um dos principais fatores de risco. Embora chocolates com alto teor de cacau tenham menor impacto sobre a glicemia, a especialista alerta que o consumo deve ser controlado e não pode ser feito de forma absolutamente liberada.

Atendimento e suporte na Bahia

Para os pacientes que convivem com a doença no estado, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) orienta que o fluxo de atendimento comece pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Casos de maior complexidade são regulados para o Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba). A unidade oferece suporte multidisciplinar especializado em áreas como angiologia, nefrologia, cardiologia e exames de alta precisão, como Doppler e citologia de tireoide.