Por: Mirian Silva*
O relato recente da influenciadora baiana Sthe Matos nas redes sociais trouxe novamente à tona um tema que gera muitas dúvidas entre mulheres: a fertilidade após o uso do dispositivo intrauterino (DIU).
Casada com o cantor Kevi Jonny, a influenciadora contou aos seguidores que está passando por um processo para tentar engravidar novamente. Sthe, que já é mãe de Apolo, fruto de um relacionamento anterior com Fábio Silveira, utilizou o DIU por cerca de sete anos e decidiu retirar o dispositivo em 2025.
Segundo a influenciadora, a retirada precisou ser realizada por meio de uma Histeroscopia, procedimento feito com anestesia após avaliação médica indicar que a retirada no consultório poderia ser muito dolorosa.
“Na avaliação, a médica viu que seria muito doloroso se fosse tirar quando eu estava no consultório, porque estava muito preso”, relatou Sthe em um vídeo publicado nas redes sociais.
O caso repercutiu entre seguidoras e levantou questionamentos sobre possíveis impactos do DIU na fertilidade feminina. No entanto, segundo a ginecologista Ranny Cardoso, não há evidências científicas de que o método contraceptivo cause infertilidade.
De acordo com a especialista, a fertilidade da mulher pode retornar imediatamente após a retirada do DIU. “O DIU não causa infertilidade e não interfere no funcionamento do organismo. Muitas vezes a mulher retira o método esperando engravidar imediatamente, mas descobre que existem outros fatores que precisam ser investigados”, explica.
Do ponto de vista médico, considera-se infertilidade quando uma mulher com menos de 35 anos tenta engravidar por 12 meses sem sucesso. Já para mulheres acima de 35 anos, o período considerado é de seis meses de tentativas.
Ainda assim, a médica destaca que uma avaliação ginecológica pode ser realizada antes desse período, especialmente em casos de cólicas intensas, fluxo menstrual irregular, histórico de perdas gestacionais ou quando a mulher deseja planejar a gestação com mais segurança.
Apesar de o DIU não causar infertilidade, algumas mulheres podem apresentar inflamações crônicas no endométrio, camada interna do útero, que passam despercebidas por muito tempo e podem dificultar a implantação do embrião.
Segundo a especialista, essas alterações muitas vezes não aparecem em exames de imagem comuns, como o ultrassom. Nesses casos, a histeroscopia pode ser um exame importante na investigação, pois permite visualizar diretamente o interior do útero.
Durante avaliações mais detalhadas, também podem ser identificadas alterações como pólipos, miomas submucosos, aderências internas provocadas por infecções antigas ou sinais de inflamação dentro do útero, muitas delas tratáveis.
Quando a gravidez não ocorre após um ano de tentativas, a investigação médica costuma avaliar três pontos principais: o ciclo menstrual e a ovulação, a condição das trompas uterinas e a saúde do útero. Para analisar as trompas, um dos exames utilizados é a Histerossalpingografia.
A especialista também reforça que a maioria das inflamações associadas à infertilidade está ligada a infecções bacterianas, e não ao uso do DIU. Algumas dessas bactérias fazem parte do próprio organismo, enquanto outras são transmitidas sexualmente.
Por isso, o uso de preservativos continua sendo fundamental para prevenir infecções sexualmente transmissíveis, já que o DIU não oferece proteção contra essas doenças.
Para a ginecologista, o mais importante é que mulheres que desejam engravidar busquem acompanhamento médico para avaliar a saúde reprodutiva e planejar a gestação com mais segurança.
*sob supervisão da jornalista Cintia Santos