Economista alerta para riscos do cartão de crédito em cenário de juros altos

Por Redação 27/04/2026, às 16h00 - Atualizado às 14h01

O economista Lucas Rios comentou, em entrevista à jornalista Jessica Smetak, no programa Conexão Sociedade desta segunda-feira, sobre o uso do cartão de crédito e débito, além dos impactos dos juros e dos empréstimos no orçamento dos brasileiros.

Durante a conversa, ele destacou que, quando bem utilizado, o cartão de crédito pode trazer benefícios ao consumidor, como o acúmulo de pontos e milhas. “Eu prefiro pagar no crédito porque o meu crédito acumula pontos que eu posso trocar por produtos na plataforma do banco. Você pode trocar por milhas em viagens, então você vai pontuando aquela compra”, explicou.

Ele citou, inclusive, situações do dia a dia em que o crédito pode ser vantajoso. “Até a escola do meu filho eu botei no cartão de crédito. Perguntei para a escola se podia, então lá todo mês vai no crédito e lá na frente eu reverto pra ponto”, afirmou.

Apesar das vantagens, o economista alertou para os riscos, principalmente em um cenário de juros elevados no país. Segundo ele, o Brasil historicamente convive com taxas altas. “A gente tem uma média de 12% a 13% de taxas de juros ao ano aqui no Brasil. Agora que a Selic está 14,75%, vê que nós estamos com taxas de juros elevadíssimas”, disse.

Lucas também explicou mudanças recentes na legislação sobre o rotativo do cartão de crédito. “Hoje já existe em vigor no Brasil uma lei onde o banco é limitado a colocar juros e multas no cartão de crédito até 100% do valor original”, destacou. Ainda assim, ele ressalta que o impacto continua sendo significativo: “Quem acha que é pouco, é pouco frente a 400%, mas ainda é muito frente ao orçamento familiar”.

O economista alertou que o não pagamento da fatura pode gerar um efeito perigoso nas finanças pessoais. “A conta vai virando uma bola de neve, porque os juros não param de crescer”, pontuou.

Outro ponto abordado foi o aumento de práticas irregulares envolvendo empréstimos informais. Ele chamou atenção para ofertas como “compra de dívida” e uso de maquininhas para obtenção de dinheiro. “Você paga mil e duzentos na maquininha da pessoa para receber mil. Isso é agiotagem”, afirmou.

Lucas reforçou que esse tipo de prática é ilegal no Brasil. “Agiotagem no Brasil é contra a lei penal. Na verdade, quem pode emprestar dinheiro no Brasil é só o banco”, concluiu.

A entrevista trouxe um panorama sobre como fatores econômicos, como juros altos, impactam diretamente o uso do crédito e exigem mais cautela por parte dos consumidores.