Israel utiliza acesso à água como “arma de guerra”, acusa MSF

Por Redação 28/04/2026, às 22h07 - Atualizado às 18h34

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) publicou, nesta terça-feira (28), um relatório denunciando que Israel utiliza o acesso a saneamento e higiene como arma de guerra na Faixa de Gaza. Segundo a ONG, a população local enfrenta uma “punição coletiva” decorrente da destruição sistemática de poços, redes de abastecimento e usinas de dessalinização.

Chamado de “Água como Arma”, o texto aponta que a população enfrenta essa “punição coletiva” a partir de três instrumentos: o ataque direto a instalações civis, o bloqueio sistemático de suprimentos essenciais para reparos e a obstrução do acesso humanitário através de deslocamentos forçados da população. Segundo dados do Banco Mundial, da União Europeia e da ONU, ao menos 89% da infraestrutura hídrica do território foi danificada.

Com o colapso do esgoto, resíduos humanos podem contaminar os lençóis freáticos, agravando o risco de epidemias em áreas com densidade populacional extrema. “Os banheiros improvisados também levam à infiltração de resíduos humanos, incluindo fezes, nas águas subterrâneas, tornando a água dos poços da região imprópria para consumo”, argumenta a MSF.

A organização atua na região palestina desde antes da atual guerra entre Israel e Hamas. Mesmo com as constantes ordens de retirada ditadas pelas forças israelenses, as equipes da MSF continuam atuando no território.

O relatório desta terça detalha ainda que ataques foram cometidos contra estruturas da MSF que estavam devidamente identificadas. Em um dos casos, uma unidade de tratamento em Rafah, que atendia 16 mil pessoas, foi completamente devastada após a equipe ser forçada a abandonar o local por ordens militares.

A MSF exige, no documento, que Israel suspenda o bloqueio a equipamentos hídricos e garanta a proteção da infraestrutura civil. “Israel é obrigado, nos termos do direito internacional humanitário, na qualidade de potência ocupante, a garantir que as necessidades básicas da população sejam atendidas e a proteger a infraestrutura civil”. A organização encerra pedindo aos Estados-membros da ONU que pressionem por negociações que permitam a reconstrução dos sistemas de sobrevivência em Gaza.