A fase de instrução do processo que apura o “Caso Pix” foi encerrada nesta quinta-feira (7), no Fórum Criminal de Salvador, sem os depoimentos dos acusados. Os jornalistas Marcelo Castro e Jamerson Oliveira, apontados como operadores do esquema, optaram pelo silêncio após o juiz Waldir Viana recusar os sucessivos pedidos de adiamento da sessão. Waldir Viana ainda classificou as tentativas da defesa como manobras para “caçar nulidades” e atrasar o andamento do processo.
Diante da decisão do juiz em seguir com o interrogatório dos réus, os acusados optaram pelo silêncio. João Daniel Jacobina, defensor de Marcelo Castro, afirmou que os réus “teriam o que dizer”, mas que a orientação técnica foi não falar devido à suposta falta de acesso a documentos que o próprio delegado Charles Leão detalhou no dia anterior.
Nos bastidores jurídicos, o silêncio dos réus é interpretado como uma estratégia para tentar deslocar a responsabilidade de Marcelo Castro e concentrá-la nas figuras do editor-chefe Jamerson Oliveira e do produtor Lucas Costa. O adiamento também foi visto como tática para blindar o apresentador de TV acusado.
A investigação, detalhada pela Record Bahia, aponta que o esquema operou por quase um ano e meio, incentivando os telespectadores a doarem quantias que culminaram em um desvio de quase R$ 407 mil. O valor representa 75% do total arrecadado em campanhas solidárias veiculadas pela emissora. Estima-se que o complô tenha vitimado diretamente 12 famílias em situação de vulnerabilidade.