A primeira etapa da operação de repatriação no navio MV Hondius foi concluída neste domingo (10) com o desembarque de 94 das 150 pessoas a bordo, no porto de Granadilla, Espanha. A embarcação cumpria isolamento após um surto de hantavírus que resultou em três mortes. O trabalho de retirada dos passageiros restantes será retomado nesta segunda, com previsão de encerramento até as 15h (horário de Brasília).
A logística envolveu o transporte imediato de cidadãos de 19 nacionalidades para voos de retorno a países como França, Canadá e Reino Unido. De acordo com a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, o processo ocorreu sem intercorrências de segurança. Ao final dos trabalhos programados para segunda, o navio seguirá para sua base nos Países Baixos transportando os últimos 30 passageiros.
O desembarque foi precedido por um cerco sanitário rigoroso, que mobilizou mais de 360 agentes, incluindo especialistas em biologia e química. Antes de deixarem o navio, todos os tripulantes e passageiros foram submetidos a exames clínicos minuciosos pela Guarda Civil espanhola. O protocolo exige, ainda, que os repatriados cumpram quarentena obrigatória ao chegarem em seus países de origem.
A operação contou com a presença do diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, que supervisionou os procedimentos em Tenerife. A movimentação ocorre após um impasse político com o governo das Ilhas Canárias, que inicialmente resistiu à atracação da unidade por questões de segurança biológica, cedendo apenas na madrugada de domingo.
A ancoragem e o fluxo de retirada foram classificados pelo governo espanhol como um sucesso técnico diante da complexidade do agente infeccioso.