O Instagram poderá ler suas mensagens? Saiba o que mudou com as novas regras da rede

Por Redação 15/05/2026, às 09h05 - Atualizado às 08h59

Por Sophia Souza*

O Instagram desativou a criptografia de ponta a ponta nas mensagens diretas da plataforma. Com a mudança, a rede social passa a utilizar apenas a criptografia padrão, modelo que permite que a empresa tenha acesso ao conteúdo enviado pelos usuários em determinadas situações.

Na prática, isso significa que mensagens de texto, fotos, vídeos, áudios e arquivos trocados no direct podem ser acessados pela plataforma. Antes, com a criptografia de ponta a ponta ativada, apenas o remetente e o destinatário conseguiam visualizar o conteúdo das conversas.

A criptografia de ponta a ponta é considerada uma das ferramentas mais seguras de privacidade digital. Segundo Thiago Andrade, analista de cibersegurança, o recurso permitia manter conversas privadas sem acesso de terceiros. “O recurso podia ser utilizado por um usuário para manter conversas privadas com outras pessoas sem que essas mensagens pudessem ser lidas por um terceiro, seja ele qual for: Meta, polícia ou hackers”, explica. 

A decisão que entrou em vigor na última sexta-feira (8) marca uma mudança significativa na forma como a Meta, empresa dona do Instagram, tem tratado a privacidade dentro da plataforma. Nos últimos anos, a companhia defendia a ampliação da criptografia nas suas plataformas e chegou a afirmar que a privacidade seria o futuro da comunicação digital. O recurso já é padrão em aplicativos como WhatsApp e Facebook Messenger, mas no Instagram funcionava de forma opcional.

Dados sensíveis

Para Thiago Andrade, a mudança pode abrir espaço para usos abusivos das informações coletadas nas conversas. “Uma mudança como esta pode servir como um cavalo de tróia para usos abusivos dos dados coletados como publicidade direcionada utilizando dados coletados na conversa, uso de IA para perfilamento de pessoas e até perseguição política”, alerta. 

Segundo o especialista, além das disputas judiciais envolvendo acesso a dados por governos, empresas de tecnologia também possuem interesse econômico nesse tipo de informação. “O outro interesse é a utilização dos dados com interesses internos como treinamento de inteligência artificial e publicidade direcionada”, afirma. 

Apesar da mudança, especialistas recomendam reforçar a segurança digital com medidas como utilizar senhas fortes, evitar reutilizar a mesma senha em diferentes plataformas e ativar a autenticação em dois fatores nos aplicativos. Também é importante ter atenção a atividades suspeitas e links desconhecidos. Outra alternativa é recorrer a plataformas que ainda mantêm a criptografia de ponta a ponta como padrão. 

*com a supervisão do jornalista Thiago Conceição.