A Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis Ltda, ligada à família do senador Ciro Nogueira, registrou lucro acumulado de R$ 46,8 milhões até novembro de 2025. Segundo documentos, o parlamentar deve receber mais de R$ 7 milhões em distribuição de lucros entre 2026 e 2028.
A Polícia Federal investiga um contrato de R$ 14,2 milhões firmado entre a empresa da família do senador e a Athena Real Estate, vinculada ao empresário Ricardo Magro. Ele é apontado pelas autoridades como líder de um esquema de fraudes fiscais e lavagem de dinheiro e atualmente é considerado foragido internacional.
O contrato aparece em documentos da Operação Sem Refino, que investiga o grupo Refit. Segundo as apurações, a negociação envolveu a compra de um terreno de 40 hectares em Teresina para instalação de uma distribuidora de combustíveis.
O acordo foi assinado em agosto de 2024. Pela empresa da família de Ciro, assinou o irmão do senador, Raimundo Nogueira Lima. Já pela Athena, assinou Pedro Zuaid Dias Soares, apontado como operador financeiro do grupo investigado.
Segundo a PF, os pagamentos começaram em novembro de 2024 e já somam R$ 10,8 milhões. A polícia tenta esclarecer se a operação imobiliária foi regular ou se teria sido usada para ocultar vantagens indevidas. Investigadores também analisam possível relação entre o negócio e a atuação de Ciro Nogueira em pautas do setor de combustíveis no Congresso.
O senador nega irregularidades e afirma que a negociação foi regular e declarada. Em nota, disse que não participou diretamente das tratativas e que atualmente não integra mais o quadro societário da empresa.
A investigação também identificou repasses de R$ 63,9 mil feitos à empresa da família do senador por um posto de combustível alvo da Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital no setor de combustíveis.
As transferências foram feitas pelo posto Pima Energia Amizade por meio do BK Bank, apontado pela PF e pelo Ministério Público como peça-chave em esquemas de lavagem de dinheiro ligados à facção criminosa.
A Operação Sem Refino tramita no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A PF investiga suspeitas de gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e crimes contra a ordem econômica envolvendo o grupo Refit, cuja dívida com os cofres públicos pode chegar a R$ 52 bilhões.