Caso Davi Fiúza: nova audiência em Salvador tenta levar policiais a júri popular após uma década

Por Redação 25/05/2026, às 12h15 - Atualizado às 11h39

O Fórum Criminal Desembargador Carlos Souto, no bairro de Sussuarana, em Salvador, sedia nesta segunda-feira (25) uma nova audiência de instrução sobre o desaparecimento do jovem Davi Fiúza, ocorrido em 2014. O andamento do processo na Justiça Comum é visto por movimentos sociais e organizações de direitos humanos como um passo crucial para que o caso seja finalmente levado a júri popular, após anos de tramitação na esfera militar.

A migração do caso para o tribunal civil ocorreu após o entendimento de que há indícios reconhecidos de crime doloso contra a vida. A expectativa da acusação é que, após a escuta das últimas testemunhas agendadas para esta etapa, o juiz pronuncie os réus, permitindo que eles enfrentem o Tribunal do Júri.

Andamento do processo e provas

O caso sofreu uma reviravolta recente na audiência realizada no último dia 8 de maio, quando uma testemunha ocular mudou sua versão inicial dos fatos e afirmou não reconhecer os policiais envolvidos no dia do crime. Apesar da mudança no depoimento, a acusação sustenta que a materialidade do crime está embasada em outras provas técnicas colhidas ao longo da instrução, como os diários de bordo das viaturas e a localização geográfica dos veículos na data do sumiço.

Os policiais militares apontados como responsáveis pelo crime continuam em serviço ativo nas forças de segurança. Com exceção de uma integrante do grupo, os demais agentes também respondem a outros processos criminais na Justiça baiana, que incluem acusações de homicídio e tentativa de feminicídio.

Relembre o caso

Davi Fiúza desapareceu aos 16 anos de idade, no dia 24 de outubro de 2014, durante uma abordagem policial realizada por agentes do Pelotão de Emprego Tático Operacional (PETO) e das Rondas Especiais (Rondesp), na localidade de São Cristóvão, em Salvador. O adolescente conversava com uma vizinha na Rua São Jorge de Baixo quando foi abordado, teve as mãos e os pés amarrados e foi colocado no porta-malas de uma viatura despadronizada. Desde então, o jovem nunca mais foi visto.

No início das investigações, 23 policiais militares foram apontados como suspeitos de envolvimento. Com o avanço das apurações, o número foi reduzido e, em 2018, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou sete policiais pelos crimes de sequestro e cárcere privado.

Os policiais denunciados são:

  • George Humberto da Silva Moreira

  • Moacir Amaral Santiago

  • Joseval Queiros da Silva

  • Genaro Coutinho da Silva

  • Ednei da Silva Simões

  • Tamires dos Santos Sobreira

  • Sidnei de Araújo dos Humildes

A defesa dos policiais militares sustenta a tese de inocência, alegando que os acusados não estavam presentes no local do fato na data informada e que não tinham qualquer tipo de conhecimento sobre o paradeiro ou a rotina do jovem.