Boulos critica decisão dos EUA sobre PCC e CV e cobra Flávio Bolsonaro por milícias no Rio

Por Redação 29/05/2026, às 13h35 - Atualizado às 13h35

Por Záfya Tomaz

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, criticou a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas e afirmou que o combate ao crime organizado deve ser conduzido pelo próprio Brasil.

Durante declaração, Boulos disse que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem atuado de forma firme contra o crime organizado, inclusive mirando esquemas de lavagem de dinheiro. “O governo do presidente Lula foi o que combateu de maneira mais firme o crime organizado nesse país”, afirmou.

O ministro também questionou as motivações dos Estados Unidos ao adotar a medida e sugeriu interesses econômicos por trás da decisão. “Alguém acha de verdade que o Donald Trump e os Estados Unidos estão preocupados com a segurança do povo da periferia da Bahia ou de qualquer periferia do Brasil? Não estão”, declarou.

A fala ocorre após o governo do presidente Donald Trump oficializar a classificação das duas facções brasileiras como organizações terroristas estrangeiras, medida defendida pelo senador Flávio Bolsonaro durante viagem aos Estados Unidos.

Ao comentar o tema, Boulos também direcionou críticas ao parlamentar do PL e cobrou posicionamento sobre as milícias no Rio de Janeiro. “Eu me pergunto se o senhor Flávio Bolsonaro, que foi lá na Casa Branca, também propôs transformar a milícia do Rio de Janeiro em organização terrorista”, afirmou.

O ministro ainda citou a relação de familiares de milicianos com o gabinete do senador e mencionou homenagens feitas por Flávio ao ex-capitão Adriano da Nóbrega, apontado como liderança do chamado Escritório do Crime. “Tem que ter autoridade moral para falar em combater o crime organizado”, disparou.

A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas tem provocado debate no Brasil. Enquanto setores da oposição defendem a medida como forma de ampliar o combate internacional às facções, integrantes do governo Lula argumentam que a decisão pode abrir margem para interferências externas em temas de segurança pública.