A Justiça determinou que o município de Quijingue, no nordeste da Bahia, reduza os cachês de atrações já contratadas para o São João de 2026 e suspenda o contrato firmado com a dupla Victor e Léo, no valor de R$ 780 mil. A decisão atende a um pedido liminar do Ministério Público da Bahia (MPBA), que apontou gastos considerados incompatíveis com a situação financeira da cidade, atualmente em estado de emergência devido à seca.
Além da suspensão do contrato com Victor e Léo, a Justiça proibiu o município de realizar pagamentos de cachês acima da média praticada em 2025 para os mesmos artistas, corrigida pela inflação. Segundo o MPBA, o valor contratado para a dupla ultrapassa o limite de alerta estabelecido em nota técnica conjunta dos órgãos de controle, que exige comprovação da capacidade financeira do município.
Na decisão, a juíza Dione Cerqueira destacou que Quijingue enfrenta uma grave estiagem e que os recursos públicos devem priorizar serviços essenciais à população. O Ministério Público argumentou que os valores contratados para os festejos juninos não condizem com a realidade financeira do município.
De acordo com a ação civil pública, os gastos previstos para o São João já superam R$ 4,5 milhões. Entre as atrações contratadas estão César Menotti & Fabiano, por R$ 600 mil, e Murilo Huff, por R$ 650 mil. O MP também apontou reajustes expressivos em comparação com 2025, incluindo aumentos nos cachês de Michele Andrade, Fulô de Mandacaru e Murilo Huff.
A promotora de Justiça Sabrina Rigaud ressaltou que o objetivo da ação não é impedir a realização dos festejos juninos, mas garantir que os gastos públicos observem os princípios da economicidade, razoabilidade e eficiência administrativa. Segundo ela, é necessário equilibrar os investimentos em eventos culturais com a manutenção dos serviços públicos essenciais, especialmente em um cenário de crise hídrica.