O Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu proibir o uso do polimetilmetacrilato (PMMA) como substância preenchedora em procedimentos médicos realizados no Brasil. A medida passa a valer a partir da próxima terça-feira (2) e impede a utilização do produto tanto para fins estéticos quanto reparadores.
A decisão foi formalizada por meio da Resolução nº 2.461/2026 e ocorre após análises técnicas que apontaram que os riscos associados ao PMMA superam os possíveis benefícios terapêuticos. O material, composto por microesferas suspensas em gel, é considerado permanente e permanece no organismo após a aplicação.
Nos últimos anos, o produto passou a ser amplamente utilizado em procedimentos estéticos para aumento de volume em regiões como glúteos, rosto, mandíbula e coxas. No entanto, entidades médicas alertam que eventuais complicações podem ser difíceis de tratar ou até impossíveis de reverter devido à permanência da substância no corpo.
Entre os principais riscos associados ao PMMA estão inflamações crônicas, infecções, necrose dos tecidos, migração do produto para outras áreas do corpo, deformidades permanentes, embolia, insuficiência respiratória e até morte. Um dos casos recentes que reacenderam o debate sobre a segurança da substância foi o de uma mulher de 48 anos que morreu após realizar um procedimento estético em São Paulo.
Apesar da proibição determinada pelo CFM, o PMMA continuará podendo ser utilizado no tratamento da lipodistrofia facial em pessoas que vivem com HIV/aids, desde que a aplicação ocorra em unidades de alta complexidade credenciadas pelo SUS. A Anvisa ainda permite a comercialização da substância para usos específicos, mas o Conselho Federal de Medicina já solicitou à agência a proibição total do produto.