Por Záfya Tomaz
O secretário da Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, comentou sobre a ação dos Estados Unidos de classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas ou grupos criminosos transnacionais. Para ele, qualquer iniciativa internacional deve respeitar a soberania brasileira e contribuir para o fortalecimento da cooperação no combate ao crime organizado. “Independentemente da forma que hoje os Estados Unidos, provavelmente, classifiquem essas duas organizações criminosas, ou outro país assim o classifique, o que a gente tem que cuidar é da soberania nacional”, afirmou.
Segundo Werner, a classificação pode ser positiva caso resulte em uma maior integração entre os países no enfrentamento às organizações criminosas que atuam além das fronteiras nacionais. “Se essa classificação vier para fortalecer ainda mais a integração no combate às organizações criminais que têm uma atuação internacional, excelente”, declarou.
O secretário destacou ainda que representantes do governo norte-americano já sinalizaram que eventuais medidas não teriam o objetivo de interferir na soberania do Brasil, mas de ampliar mecanismos de cooperação, especialmente no combate à lavagem de dinheiro.
“Não há qualquer tipo de ação que venha a ferir a soberania nacional e que vem, sim, trazer uma cooperação internacional ainda mais forte, em especial no que toca à lavagem de capitais”, disse.
Para Werner, o compartilhamento de informações e a atuação conjunta entre forças de segurança de diferentes países são ferramentas fundamentais para enfraquecer financeiramente as facções criminosas.
“A cooperação internacional é um dos importantes caminhos que nós temos para o combate a essas facções que fazem atuação, entre outros, em especial na parte que toca à lavagem de capitais”, ressaltou.
Como exemplo dos resultados obtidos por meio dessa integração, o secretário citou operações realizadas nos últimos meses com apoio de autoridades bolivianas e da Interpol. “Nesses últimos seis meses, seis lideranças criminais foram alcançadas na Bolívia em um trabalho de cooperação entre as forças de segurança da Bahia, a Polícia Federal brasileira, a polícia boliviana e a Interpol”, afirmou.
Ao final, Werner reforçou a expectativa de que a classificação adotada por outros países possa servir para ampliar o combate ao crime organizado internacional. “Independentemente da classificação que tenha sido dada pelos Estados Unidos ou qualquer outro país, a gente espera que possa cada vez mais fortalecer a integração e combater as facções criminosas”, concluiu.
