O uso das chamadas canetas emagrecedoras segue em expansão no Brasil e pode alcançar uma parcela significativa da população nos próximos anos. Atualmente presentes em 4,6% dos lares brasileiros, os medicamentos à base de GLP-1 têm registrado crescimento impulsionado pela maior oferta de produtos no mercado e pela expectativa de redução nos preços.
Uma pesquisa realizada com mais de 8 mil lares brasileiros aponta que o interesse pelo tratamento é elevado e que fatores como custo e falta de informação ainda limitam a adesão de parte da população. A tendência, no entanto, é de avanço acelerado do uso dos medicamentos nos próximos anos.
Um dos fatores que pode contribuir para esse cenário é o fim da patente da semaglutida, substância presente em medicamentos utilizados para controle do diabetes e emagrecimento. A mudança abriu espaço para a chegada de novos produtos ao mercado nacional, ampliando a concorrência e criando expectativa de preços mais acessíveis para os consumidores.
Recentemente, uma farmacêutica brasileira anunciou o lançamento de sua própria versão da caneta à base de semaglutida, com valores inferiores aos praticados atualmente. A previsão é de que o produto esteja disponível nas farmácias ainda neste mês.
O levantamento também traçou o perfil dos consumidores. O maior índice de uso foi registrado na região Centro-Oeste, onde 8,2% das famílias afirmam utilizar as canetas. No Nordeste, o percentual é de 2,2%.
A pesquisa mostra ainda que a maioria dos usuários pertence às classes de maior poder aquisitivo. Pessoas entre 36 e 50 anos representam a principal faixa etária consumidora dos medicamentos. Além disso, o uso é mais comum em residências com três ou quatro moradores e em lares sem crianças.
O crescimento das canetas emagrecedoras também tem provocado mudanças nos hábitos de consumo das famílias. Os dados indicam que muitos usuários reduziram gastos com lazer, bares e restaurantes após iniciarem o tratamento. Em alguns casos, houve diminuição até mesmo das despesas com supermercados.
A alteração no comportamento está diretamente ligada aos efeitos dos medicamentos, que promovem sensação de saciedade e redução do apetite. Apesar disso, especialistas do setor varejista observam que o aumento da procura por produtos ligados à saúde e ao bem-estar, como proteínas e suplementos alimentares, pode compensar parte dessas mudanças no padrão de consumo.
O tema foi debatido durante a Convenção da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad) 2026, realizada em Atibaia, no interior de São Paulo. Segundo o estudo apresentado no evento, os brasileiros que utilizam as canetas emagrecedoras desembolsam, em média, R$ 800 por mês com o tratamento.