Quatro advogados presos na Operação Sintonia de Gravata passam por audiência de custódia

Por Redação 06/07/2026, às 06h36 - Atualizado às 06h36

Quatro dos advogados presos durante a Operação Sintonia de Gravata, deflagrada na última sexta-feira (3), passam por audiência de custódia nesta sexta-feira (4). A operação investiga um suposto esquema de comunicação entre integrantes de facções criminosas presos e membros das organizações em liberdade.

Ao todo, nove advogados seis mulheres e três homens tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça. Segundo as investigações, os profissionais utilizariam prerrogativas da advocacia para transmitir ordens de lideranças criminosas custodiadas em presídios baianos. Um décimo investigado segue foragido.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) e o Ministério Público da Bahia (MP-BA), os advogados atuariam como elo entre presos submetidos ao Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) e integrantes das facções que permanecem em liberdade, permitindo a continuidade de ordens relacionadas ao tráfico de drogas, circulação de armas e ataques a grupos rivais.

Batizada de Sintonia de Gravata, a operação foi conduzida em conjunto pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), SSP e Seap. O nome faz referência ao termo utilizado por organizações criminosas para designar advogados que atuariam em benefício das facções.

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA) informou que acompanhou o cumprimento dos mandados por meio da Comissão de Prerrogativas. Segundo a entidade, ela foi comunicada oficialmente sobre a operação, mas não recebeu previamente a relação dos investigados nem detalhes das apurações. A OAB afirmou que aguarda o compartilhamento formal das informações para avaliar a abertura de processos ético-disciplinares, ressaltando que acompanhará o caso com observância ao devido processo legal.

As audiências de custódia vão analisar a legalidade das prisões e decidir sobre a manutenção ou não das medidas cautelares impostas pela Justiça. Até o momento, não houve alteração nas prisões preventivas decretadas contra os investigados.