Um ginecologista foi preso em flagrante na sexta-feira (10), em Salvador, suspeito de registrar imagens de uma paciente durante uma consulta sem que ela soubesse. A ocorrência foi registrada em uma clínica no bairro da Vila Laura e levou à apreensão de um par de óculos equipado com um dispositivo de gravação, além do celular do médico, onde estavam armazenados os arquivos.
De acordo com a Polícia Militar, a denúncia foi feita pela própria paciente, que acionou as autoridades após perceber a suposta gravação. Quando as equipes chegaram à unidade de saúde, o médico já havia deixado o local. As buscas continuaram na região até que o veículo conduzido por ele foi localizado e interceptado na Avenida Heitor Dias.
Ainda segundo a PM, durante a abordagem, o profissional entregou espontaneamente os equipamentos utilizados para a gravação. Aos policiais, ele afirmou que as imagens seriam destinadas a pesquisas. Após a ocorrência, médico e paciente foram encaminhados à Casa da Mulher Brasileira, onde o caso foi formalizado e passou a ser investigado.
Em posicionamento oficial, a Clínica da Família informou que adotou medidas administrativas logo após tomar conhecimento do episódio. A instituição anunciou a suspensão preventiva dos atendimentos realizados pelo médico, ressaltando que ele prestava serviços no local, mas não integra o quadro societário nem exerce função de gestão.
A unidade de saúde também declarou que permanece à disposição da Polícia Civil, do Ministério Público e do Poder Judiciário para fornecer informações que contribuam com a apuração. A clínica afirmou ainda que repudia qualquer conduta que viole a intimidade, a privacidade ou a dignidade das pacientes e manifestou solidariedade à mulher envolvida.
O Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informou que instaurou uma sindicância de ofício para apurar a conduta do profissional. O órgão destacou que, conforme as regras do Código de Processo Ético-Profissional, a investigação tramita em sigilo e garante às partes o direito ao contraditório e à ampla defesa. Caso seja instaurado um processo ético e haja decisão definitiva com aplicação de sanção pública, o resultado será divulgado pelo Conselho.