O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público da Bahia (MP-BA), deflagrou nesta segunda-feira (13) uma operação para desarticular uma suposta organização criminosa investigada por fraudes em contratos públicos, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro. Entre os alvos está o vereador de Salvador George Carlos Reis Pereira, conhecido como Gordinho da Favela, além de empresários e agentes públicos.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra 19 investigados e cinco empresas. A Justiça também determinou o bloqueio de bens no valor de R$ 38.321.127,95, a suspensão do exercício de função pública e de mandato eletivo de cinco investigados — entre eles o vereador George Carlos Reis Pereira — e proibiu o contato entre os alvos da investigação. O pedido de prisão preventiva formulado pelo Ministério Público foi negado.
Segundo a representação criminal do Ministério Público, o grupo atuava de forma estruturada na Secretaria Municipal de Manutenção da Cidade (Seman) e na Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Desal). A investigação aponta que a organização era dividida em núcleos empresarial, operacional e de agentes públicos, responsáveis por um esquema de fraudes em licitações e desvios de recursos públicos.
Ainda nesta segunda-feira, a juíza Martha Carneiro Terrin e Souza, da 3ª Vara das Garantias de Salvador, autorizou o acesso integral das defesas aos autos da investigação, que já não tramitam sob sigilo. A magistrada também determinou que pedidos como desbloqueio de bens e revogação de medidas cautelares sejam apresentados em processos apartados, para garantir a análise individualizada de cada caso.
Em nota, George Carlos Reis Pereira afirmou que ainda não teve acesso aos autos da investigação e, por isso, desconhece os elementos que fundamentam a apuração. O vereador informou que está à disposição do Ministério Público e das demais autoridades para prestar esclarecimentos, disse confiar no devido processo legal e afirmou acreditar que terá a oportunidade de demonstrar a legalidade de suas condutas.
Também em nota, a Prefeitura de Salvador informou que cumprirá a determinação judicial e colaborará com as investigações conduzidas pelo Ministério Público da Bahia. A gestão municipal acrescentou que abrirá um procedimento administrativo para apurar a existência de eventual dano ao erário relacionado aos fatos investigados.