Um relatório da Polícia Federal divulgado nesta quinta-feira (30) cita uma conversa em que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, aponta o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, como integrantes do governo favoráveis à venda da instituição financeira para o Banco de Brasília (BRB).
O diálogo, ao qual a investigação teve acesso, ocorreu em 19 de agosto de 2025. Na ocasião, um jornalista perguntou a Vorcaro quais integrantes do governo apoiavam a operação. Em resposta, o empresário mencionou Rui Costa, Jaques Wagner e Alexandre Silveira.
Para a Polícia Federal, a conversa indica que Vorcaro enxergava Jaques Wagner como um “aliado político em operação de natureza essencialmente regulatória, sujeita a critérios técnicos do Banco Central”.
Segundo o relatório encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, “o alinhamento do parlamentar transcendia o mero acompanhamento legislativo e alcançava o plano das articulações políticas institucionais”.
A PF também afirma que a coincidência entre o suposto apoio de Jaques Wagner à operação e as cobranças feitas por seu enteado, Eduardo Sodré Martins, a Augusto Ferreira Lima por pagamentos pendentes à BN Financeira reforça a suspeita de que o apoio político e os repasses ao núcleo familiar do senador “integravam circuito único de contrapartidas recíprocas”.
O relatório cita Rui Costa e Alexandre Silveira apenas como nomes mencionados por Vorcaro entre os supostos apoiadores da operação. O documento não detalha, nesse trecho, quais teriam sido as atuações dos dois ministros nem apresenta elementos adicionais que indiquem participação deles em irregularidades.