Por Cíntia Santos, com informações de Záfya Tomaz
O roteirista, produtor e diretor de cinema Bruno Barreto explicou, nesta sexta-feira (14), em Salvador, a proposta do documentário “963 Dias”, que retrata o período de governo do ex-presidente Michel Temer.
A sessão na capital baiana foi a primeira exibição do documentário em uma capital brasileira após a estreia em São Paulo.
Segundo Barreto, a ideia surgiu a partir de uma proposta feita por ele ao próprio Temer. O diretor afirmou que buscou construir uma reflexão sobre o período e sobre o modelo político que, na avaliação dele, marcou a chamada Nova República. “Eu queria refletir, convidar o espectador a refletir sobre o último governo que buscou o consenso”, afirmou.
Para o diretor, o governo Temer representou o encerramento de um período iniciado após a redemocratização do país, marcado pela tentativa de construção de consensos entre diferentes setores políticos. “Sem o consenso você não governa, sem o consenso você não tem democracia”, disse.
Barreto também afirmou que o governo Temer foi alvo de críticas tanto da direita quanto da esquerda e que esse processo teria contribuído para o cenário de polarização que antecedeu a eleição de Jair Bolsonaro. “Eu fiquei intrigado: por que esse governo que estava arrumando a casa, que estava buscando o consenso, foi implodido tanto pela direita quanto pela esquerda?”, questionou.
Documentário sem narrador
Uma das escolhas do diretor foi produzir o filme sem narrador. Segundo Barreto, a decisão buscou evitar que uma voz conduzisse a interpretação do espectador. “Eu não queria o narrador sempre dar um partido, dar um ponto de vista. Eu queria que as entrevistas falassem por si só”, explicou.
A montagem levou cerca de dois anos, com quase dois anos dedicados à edição. O filme é construído exclusivamente a partir das entrevistas e dos relatos apresentados ao longo do documentário.