Por Záfya Tomaz
Com a campanha eleitoral oficialmente nas ruas, a disputa pelo Governo da Bahia entra em uma nova fase. Entre as candidaturas que vêm concentrando maior atenção no cenário baiano estão as do governador Jerônimo Rodrigues (PT), candidato à reeleição, de ACM Neto (União Brasil) e de Ronaldo Mansur (PSOL). Cada um chega à largada com desafios eleitorais diferentes e as estratégias adotadas até aqui indicam onde as campanhas devem concentrar esforços.
O recorte considera os nomes que atualmente ocupam maior espaço no debate político e nos levantamentos de intenção de voto. A disputa, no entanto, reúne outras candidaturas que também buscam espaço na corrida pelo Palácio de Ondina.
A pesquisa Genial/Quaest, divulgada no fim de julho, ajuda a dimensionar o cenário entre os candidatos mais bem posicionados. No primeiro turno, ACM Neto aparecia com 39% das intenções de voto, enquanto Jerônimo tinha 38%, configurando empate técnico dentro da margem de erro de três pontos percentuais. Ronaldo Mansur aparecia com 2%. Em um eventual segundo turno entre Neto e Jerônimo, os dois também estavam tecnicamente empatados: 43% a 39%, respectivamente.
Mais do que apontar quem está na frente, os números ajudam a mostrar o ponto de partida de cada campanha. E, neste momento, os desafios eleitorais não são os mesmos.
Jerônimo precisa defender a gestão
Candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues parte para a campanha tendo como principal tarefa defender os resultados do próprio governo e responder aos problemas que vêm sendo explorados pela oposição.
Segurança pública e saúde, especialmente a fila da regulação, estão entre os temas que aparecem com frequência nos ataques dos adversários. A estratégia do governador tem sido destacar investimentos, obras e entregas realizadas durante a gestão para mostrar que os problemas estão sendo enfrentados. A própria avaliação do governo apresenta um cenário que pode ser explorado pela campanha. Na Genial/Quaest, 57% dos entrevistados disseram aprovar a gestão de Jerônimo, enquanto 34% desaprovaram. Na avaliação administrativa, 26% consideraram o governo positivo, 42% regular e 31% negativo.
O desafio, portanto, é transformar os investimentos e entregas em percepção de resultado para o eleitor. Afinal, apresentar quanto foi aplicado em determinada área é diferente de convencer quem utiliza diariamente os serviços públicos de que a situação melhorou.
Jerônimo também passou a reforçar outro elemento de sua identidade política: a origem no interior. Filho de vaqueiro e com trajetória construída fora da capital, o governador tem utilizado essa característica como parte do discurso eleitoral, inclusive nos embates com ACM Neto.
ACM Neto mira o interior
Se Jerônimo precisa defender o que já fez, ACM Neto tem outro problema para resolver: ampliar sua força para além de Salvador. O ex-prefeito da capital chega à disputa com uma base política historicamente forte em Salvador, mas o interior representa uma peça fundamental para qualquer candidatura ao governo estadual. A estratégia adotada para 2026 indica que essa é uma das prioridades da campanha.
A escolha de Zé Cocá, ex-prefeito de Jequié, como vice reforça a tentativa de aproximar a chapa das diferentes regiões da Bahia. Neto também tem intensificado viagens e encontros no interior, buscando ampliar a presença junto a prefeitos, lideranças políticas e eleitores. A movimentação tem um objetivo claro: transformar presença territorial em voto.
O desafio é fazer com que a imagem construída ao longo dessas agendas consiga se consolidar entre o eleitorado do interior. Em uma disputa apertada, avanços em cidades médias e pequenas podem fazer diferença no resultado final.
Neto também precisa consolidar sua imagem como candidato ao governo de todo o Estado, e não apenas como um nome associado à capital. É justamente nesse ponto que a campanha deve apostar na presença física e nas alianças regionais.
Mansur tenta romper a polarização
Ronaldo Mansur enfrenta uma dificuldade diferente. O candidato do PSOL precisa encontrar espaço em uma disputa que vem sendo protagonizada pelo confronto entre PT e União Brasil. Com índices menores de intenção de voto nos levantamentos, a tarefa é transformar uma candidatura de menor estrutura em uma opção conhecida pelo eleitorado. Para isso, Mansur tem adotado um discurso que procura se afastar dos dois principais grupos políticos.
As críticas são direcionadas tanto ao governo Jerônimo quanto à oposição liderada por ACM Neto. Segurança pública, saúde e serviços públicos estão entre os temas utilizados para questionar a atual gestão, enquanto Mansur também busca marcar diferenças em relação ao grupo de oposição.
Nesse cenário, visibilidade passa a ser um dos principais desafios da campanha. Tempo de propaganda eleitoral, participação em debates, presença nas redes sociais e agenda de rua podem ser determinantes para uma candidatura que precisa disputar espaço no debate público com estruturas maiores. A estratégia é fazer com que o eleitor não enxergue a eleição apenas como uma escolha entre os dois nomes que aparecem na dianteira das pesquisas.
O que está em jogo a partir de agora
Com a campanha oficialmente iniciada, as estratégias de cada candidatura começam a ser colocadas à prova. Jerônimo precisa transformar a defesa da gestão em argumento eleitoral. ACM Neto busca ampliar sua força no interior e consolidar uma imagem estadual. Mansur tenta romper a polarização e conquistar espaço como uma alternativa aos dois principais grupos.
Ao mesmo tempo, os demais candidatos também entram na disputa em busca de visibilidade, votos e espaço. A partir de agora, debates, propaganda, viagens pelo Estado e redes sociais devem testar a capacidade de cada campanha de superar suas próprias dificuldades.
A corrida pelo Palácio de Ondina, enfim, saiu da fase de preparação. Agora, começa a disputa para saber quem consegue transformar estratégia em voto. E quem será capaz de mudar o cenário até a chegada às urnas.
