Na noite deste domingo (16), moradores do bairro de São Cristóvão foram abordados por militares enquanto realizavam uma celebração particular na rua do bairro. Os moradores se sentiram ameaçados com a conduta policial e iniciaram uma gravação na tentativa de se resguardar do momento.
Nas imagens enviadas exclusivamente ao Taktá, é possível perceber que os policiais descem da viatura e iniciam o contato com os populares. Segundo relatos dos moradores, eles se aproximam de dois homens que seriam menores de idade, que estavam no local, e solicitam o celular deles. No momento, as pessoas presentes tentam impedir que o aparelho seja levado e se inicia uma discussão.
Após a tentativa de resistência, os militares pedem que uma parte do grupo, inclusive os jovens, entre na viatura. Na tentativa de impedir que sejam levados, a conduta policial se intensifica. Os oficiais partem para o combate corpo a corpo, utilizam spray de pimenta e disparam tiros para cima.
O caso revela o receio, a revolta e o ressentimento da população a respeito das condutas policiais vivenciadas em São Cristóvão. Durante o momento, uma das pessoas presentes chega a relembrar a morte recente do comerciante Leonardo Gil Lima, que foi morto durante uma ronda policial na comunidade.
O Portal Taktá entrou em contato com a Polícia Militar para pedir um posicionamento acerca da situação, mas, até o momento de publicação desta matéria, não obtivemos retorno.
Caso Leo Lanches
A situação acontece quase um mês após a morte do comerciante Leonardo Gil Lima, conhecido como “Leo Lanches”, morador muito querido da comunidade. Leo foi morto no dia 23 de julho, depois de ser baleado durante uma ação policial no bairro. Segundo a Polícia Militar, ele foi encontrado baleado durante uma varredura no bairro de São Cristóvão, foi socorrido ao Hospital Geral Menandro de Farias, mas não resistiu aos ferimentos. O caso gerou revolta e mobilizou a comunidade, que, juntamente com sua família, realizou diversos protestos pedindo justiça pelo ocorrido.
Na noite da morte, moradores fecharam uma das vias da região e atearam fogo em pneus e também em ônibus, provocando a interdição da pista. Nove dias após o ocorrido, no dia 1º de agosto, com faixas, cartazes e pedidos de justiça, familiares, amigos e moradores de São Cristóvão chegaram ao Parque de Exposições para um novo protesto a respeito da morte de Leo.
Ainda no mês de julho, familiares e amigos do comerciante se reuniram com os secretários da Segurança Pública, representantes das polícias Militar e Civil e da Corregedoria-Geral da Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA) para discutir o caso. Durante a reunião, o governo apresentou informações sobre o andamento das investigações conduzidas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), além de discutir medidas administrativas adotadas pela Polícia Militar e ações de assistência aos familiares.
Uma policial militar suspeita pela morte do comerciante foi presa na terça-feira (4), primeira semana de agosto.
