Por Mirian Silva
A derrota do Botafogo por 1 a 0 para o Vitória, no último domingo (16), no Barradão, teve um episódio após o apito final. O atacante Arthur Cabral foi expulso pelo árbitro Paulo Cesar Zanovelli depois de discutir com Jair Ventura, técnico do Rubro-Negro, e cobrir a boca durante o confronto verbal.
O jogador foi punido com base em uma das novas regras adotadas recentemente pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), conhecida como “Lei Vini Jr.”. A expulsão de Arthur Cabral foi a primeira aplicação da medida em uma partida do Campeonato Brasileiro.
A confusão começou nos minutos finais e continuou depois do encerramento do jogo. Arthur se aproximou de Jair Ventura para questioná-lo e, durante a discussão, colocou a mão sobre a boca. O gesto foi identificado pelo árbitro, que aplicou o cartão vermelho ao atacante.
Não há, nas informações divulgadas sobre o episódio, indicação de que Arthur tenha cometido uma ofensa racista. A punição ocorreu especificamente pelo ato de esconder deliberadamente a boca durante a discussão.
Com a expulsão, Arthur Cabral terá de cumprir suspensão no próximo compromisso do Botafogo pelo Campeonato Brasileiro.
Jair Ventura se pronuncia sobre confusão
Após a partida, Jair Ventura também comentou a situação durante a entrevista coletiva. Antes de responder aos jornalistas, o treinador fez questão de destacar sua relação com o Botafogo, clube onde iniciou a carreira.
“Antes de iniciar, quero só falar uma coisa. Quem não sabe, eu sou formado no Botafogo, tenho 10 anos lá. Cheguei como estagiário e saí com 99 jogos. Tenho um carinho gigante e jamais desrespeitei nenhuma instituição, principalmente onde fui criado”, disse o técnico.
Jair também explicou outro lance que provocou reclamações dos jogadores do Botafogo. O treinador saltou próximo à bola, mas não tentou dominá-la. Segundo ele, a atitude não teve a intenção de desrespeitar o adversário.
“Aquele lance que eu pulei e não peguei a bola eu não acho falta de respeito, mas, se Marçal e os outros jogadores acharam falta de respeito, eu peço desculpas”, concluiu.
Entenda a “Lei Vini Jr.”
A CBF passou a adotar novas medidas disciplinares no futebol brasileiro, entre elas a determinação de que cobrir intencionalmente a boca durante uma discussão com um adversário pode resultar em cartão vermelho. A regra aparece no documento da entidade como “Protocolo Vini Jr.”
A medida ganhou força após o episódio envolvendo Vinicius Júnior e Gianluca Prestianni, em fevereiro de 2026, durante a partida entre Benfica e Real Madrid pela Liga dos Campeões. Na ocasião, o brasileiro relatou ter sido alvo de uma ofensa racista depois que o jogador argentino cobriu a boca com a camisa durante uma conversa entre os dois.
O caso provocou debates sobre a dificuldade de identificar possíveis ofensas quando os jogadores escondem a boca durante discussões. O protocolo antirracismo da Uefa chegou a ser acionado, e a partida foi interrompida.
A regra também foi utilizada durante a Copa do Mundo de 2026 e posteriormente incorporada pela CBF ao futebol brasileiro.
No caso de Arthur Cabral, porém, a expulsão não ocorreu por uma denúncia de racismo. O atacante foi punido pelo gesto de cobrir a boca durante a discussão, conforme prevê a nova regra disciplinar.
