Alta dos alimentos responde por metade da inflação de maio, aponta IBGE

Por Redação 12/06/2026, às 12h03 - Atualizado às 11h05

A inflação oficial do país desacelerou em maio, mas segue pressionada principalmente pelo aumento no preço dos alimentos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,58% no mês, com cerca de metade desse resultado puxado pelo grupo alimentação e bebidas.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e mostram perda de ritmo em relação aos meses anteriores. Ainda assim, o índice acumulado em 12 meses atingiu 4,72%, acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5%.

O grupo de alimentação e bebidas registrou alta de 1,33% em maio, com impacto de 0,29 ponto percentual no índice geral. Produtos como batata-inglesa, tomate, carnes e cebola foram os principais responsáveis pela pressão inflacionária no período.

Segundo o IBGE, este é o terceiro mês consecutivo em que os preços dos alimentos sobem acima de 1%. No acumulado do ano, o grupo já registra alta de 4,81%. Para meses de maio, trata-se da maior variação desde 2015.

De acordo com o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, a elevação dos preços está relacionada à redução na oferta de alguns produtos, ao custo do frete — predominantemente rodoviário — e ao encarecimento de insumos como fertilizantes, impactados por fatores internacionais.

O grupo habitação também contribuiu para a alta da inflação, com variação de 1,22% e impacto de 0,18 ponto percentual. O principal fator foi o aumento de 3,67% na energia elétrica residencial, influenciado pela adoção da bandeira tarifária amarela, que implica cobrança adicional na conta de luz.

Por outro lado, o grupo transportes apresentou queda de 0,46%, sendo o único com deflação no mês. A redução foi puxada principalmente pelos combustíveis, com destaque para o recuo nos preços do etanol, diesel e gasolina, o que ajudou a conter o avanço do índice geral.

O índice de difusão do IPCA indica que 65% dos produtos e serviços pesquisados tiveram aumento de preços em maio, evidenciando uma pressão inflacionária disseminada.

A meta de inflação definida pelo CMN é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Desde 2025, o cumprimento da meta é avaliado com base no acumulado dos últimos 12 meses, e o descumprimento ocorre caso o índice permaneça fora do intervalo por seis meses consecutivos.

O IPCA mede a variação de preços para famílias com renda entre um e 40 salários mínimos e é calculado a partir de dados coletados em diversas regiões metropolitanas e capitais do país.