BC só divulgará nova carta sobre inflação em abril de 2026, se IPCA seguir acima da meta

Por Redação 12/07/2025, às 06h03 - Atualizado às 07h11

O Banco Central (BC) esclareceu nesta sexta-feira (11) que só voltará a divulgar uma nova carta aberta sobre o descumprimento da meta de inflação em abril de 2026, caso o IPCA acumulado em 12 meses até março continue acima do teto da meta, fixado em 4,5%. O comunicado veio após dúvidas sobre a frequência dessas publicações com o novo modelo de metas contínuas adotado pela autoridade monetária.

Na noite de quinta-feira (10), o BC já havia publicado uma carta justificando o fato de a inflação oficial ter encerrado o primeiro semestre de 2025 em 5,35%, ultrapassando o limite superior da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos (de 1,5% a 4,5%).

Segundo o Banco Central, o resultado inflacionário foi pressionado pelo aquecimento da economia, aumento no preço do café e adoção da bandeira vermelha nas tarifas de energia elétrica.

Nova regra

Com a implementação do sistema de metas contínuas, surgiu a expectativa de que o BC tivesse que emitir cartas explicativas a cada seis meses. No entanto, o órgão esclareceu que a obrigatoriedade vale apenas para a primeira carta, emitida neste novo regime. As demais cartas só serão publicadas caso a inflação continue fora do intervalo de tolerância no prazo previamente estipulado.

“No caso atual, como a carta divulgada em 10/07/2025 indicou o primeiro trimestre de 2026 como prazo para o retorno da inflação ao intervalo de tolerância, uma nova carta só será necessária se isso não se confirmar”, afirmou o BC.

Embora o IPCA deva retornar ao intervalo permitido ainda no início de 2026, o centro da meta de 3% só deve ser alcançado no último trimestre do ano, conforme previsão mencionada pelo BC na carta.

A autoridade monetária explicou ainda que suas projeções são construídas com base em trajetórias de juros próprias, e não necessariamente seguem a mediana do mercado captada no boletim Focus, que reúne estimativas de instituições financeiras. As decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), portanto, podem divergir do cenário-base do mercado.

As projeções atuais do Focus apontam que o IPCA deve continuar acima de 3% até o fim de 2025, mas o Banco Central reforçou que a política monetária continuará firme para assegurar a convergência da inflação para o centro da meta no horizonte relevante de 18 meses.

Com o novo arcabouço de metas contínuas, o BC pretende dar mais previsibilidade e estabilidade à política monetária, mesmo em um cenário de choques temporários de preços, como os ocorridos no setor de energia e commodities.